Thursday, February 26, 2009

Ainda sobre a reforma curricular (FIM)

"... Muita gente tem dito nos corredores que não está contra a reforma, mas sim contra a forma como ela está sendo conduzida. Então, por que não conversar civilizadamente sobre como seria melhor fazer a reforma? Há diferentes opiniões sobre isso. Uns acham que a reforma deveria ser gradual, outros (como eu) acham que se pode fazer atalhos inteligentes e conseguir-se exactamente os mesmos objectivos. São diferentes paradigmas. Quem está errado ou certo não é o que importa neste momento. Ficar a discutir isto sem fazer a reforma significa estagnação. Vamos continuar a discutir até quando? Consenso absoluto nunca vai haver, de certeza absoluta! Então?...Então, na minha opinião, a solução mais racional neste contexto é aceitar seguir a quem tem coragem para dar o primeiro passo para onde queremos ir, e não ficarmos discutindo se o caminho é o melhor que há. De certeza há vários caminhos alternativos, mas como uma organização só podemos ir por um de cada vez. E qualquer que seja o caminho escolhido, nunca poderemos avaliar objectivamente o tamanho e a quantidade de obstáculos enquanto não trilharmos esse caminho. Lembremo-nos de que a perfeição é inimiga do progresso. Quem indica o caminho a seguir e dá o primeiro passo é o líder. Se quisermos fazer progressos em qualquer processo, temos que confiar na intuição dos líderes, ouvi-los e segui-los, ainda que tenhamos reservas. É mais construtivo acompanhar um líder e aconselhá-lo ao longo do caminho, do que recusar a sua liderança, porque isso conduz inevitavelmente ao caos e, eventualmente, às rixas e à estagnação. Portanto, o meu apelo final é de que se pare com as querelas, com o cepticismo extremo, inércia e indisciplina, e se trabalhe construtivamente com a direcção da UEM para o progresso da instituição e de Moçambique". Leia o texto na integra seguindo os seguintes links aqui, aqui e aqui.


Wednesday, February 25, 2009

Ainda sobre a reforma curricular[2].

Sendo assim, não se compreende (pelos menos, não academicamente!) por que razão se assiste a uma onda de flagelação do Reitor e estruturas da UEM, por estarem a conduzir a reforma em curso. Aliás, para quem não sabia, a reforma sempre aconteceu na UEM”.

Continuo a seguir a reflexão do docente de física da Universidade Eduardo Mondlane sobre a reforma curricular. Ao que tudo indica haverá um terceiro número. Por enquanto clique aqui para o segundo.


Imaginação fértil.

Essa coisa de andarmos aí a dizer que queremos uma pessoa com 10ª ou 12ª classe ou um graduado de Instituto Agro-Pecuário vai acabar. E aí vamos dizer que nós precisamos de um técnico que sabe operar este ou aquele equipamento”. (Aires Ali, 2008).

Tuesday, February 24, 2009

Um pequeno relatório!

Férias desenvolvendo o distrito: Jovens recém graduados regressam a Maputo

“JOVENS recém-graduados das universidades moçambicanas regressaram sexta-feira última a Maputo de mais uma edição de “férias desenvolvendo o distrito”. Trata-se de 250 jovens que durante um mês estiveram a trabalhar em vários distritos do país, com objectivo de aliarem os conhecimentos teóricos adquiridos durante a formação universitária com a prática. A ida deste grupo de jovens aos distritos do país faz parte do Projecto Férias Desenvolvendo o Distrito, uma iniciativa da Associação dos Estudantes Finalistas e Universitários de Moçambique (AEFUM). Parte destes finalistas que esteve a trabalhar nos distritos das províncias de Sofala e Nampula, no centro e norte do país, respectivamente, chegou a Maputo no início da tarde de sexta-feira. Em entrevista à AIM, alguns destes jovens consideram que a experiência de trabalhar nos distritos foi marcante, uma vez que puderam sentir de perto “o pulsar dos pólos de desenvolvimento”. Este ano o projecto “Férias Desenvolvendo o Distrito” foi marcado pelo início da descentralização do envio de estudantes aos chamados “pólos de desenvolvimento”, bem como pela inclusão de estudantes moçambicanos na diáspora. Próximo ano os jovens estudantes finalistas universitários e recém-graduados do Ensino superior passarão a visitar os distritos das suas próprias zonas de origem, conforme o estabelecido pelo plano estratégico de quatro anos da AEFUM”. (Jornal Notícias)


Pelos vistos, e como seria de esperar, o balanço das férias no distrito foi POSITIVO! Os Jovens recém-graduados puderam “sentir de perto o pulsar dos pólos de desenvovimento”, dito nas suas próprias palavras. Como nem todos sabemos como se mede essa pulsação, principalmente aqueles como eu longe da Pátria-Amada e consequentemente do distrito, que tal se produzissem um relatório da sua experiência. Seria interessante para podermos ter melhores elementos de avaliação do que significa “sentir o pulsar dos pólos de desenvovimento”.


Nesse relatório, que não precisa de ser um relato do “Estado dos Distritos”, volumoso como os da Nação, podiam nos dizer entre outras coisas o seguinte: a) O que foram lá fazer concretamente? b) Têm a certeza do que foram lá fazer? c) O que lhes faz ter a certeza de que foram fazer o que dizem que foram lá fazer? d) Como é que sabem que o que foram lá fazer é desenvolvimento ou a isso conducente? Se for, para quêm? Porquê? e) Quando é que podemos esperar pelos resultados? f) Que tipo de resultados podemos esperar?g) Em que sectores? H) Quem vai integrar? I) Isso vai ser decidido a que nível? J) Por quem?L) No pólo ou na nação? M) Não haverá conflitos com o status quo? N) O status quo quer esse desevolvimento, conforme concebido ou formulado pelos recém-graduados? Enfim, a lista de questões podia se estender. Para não desacelerar o passo e resfrear o processo, podeiam descentralizar as tarefas ou o relatório a explicar porque acham que o distrito precisa dos recém-graduados?Precisam?


“A racionalização da actividade comunitária não tem (…) por consequência uma universalização do conhecimento relativamente às condições e às relações dessa actividade, mas, o mais das vezes, conduz ao efeito oposto. O “selvagem” sabe infinitamente mais sobre as condições económicas e sociais da sua própria existência do que o “civilizado”, no sentido corrente do termo, das suas.”


A citação acima é do grande sociólogo Alemão Max Weber, penso que cabe bem aqui. Oh, tirei-a daqui.


Ainda sobre a Reforma Curricular.

O Jornal Notícias publica na edicção de hoje mais uma reflexão sobre a reforma em curso do curriculum do ensino superior. Trata-se, desta feita, de um texto de opinião de um docente de física e meio ambiente, Julião J. Cumbane, da Universidade Eduardo Mondlane. Para não colocar a carroça a frente aos bois, uma vez o texto estar dividido em partes, esperemos pela conclusão para ver se vale a apena o debate. A partida já me parece problemático e simplista dividir os envolvidos no debate entre os pró e os contra reforma. Isso só manienta o próprio debate. Eu próprio estive e continuo interessado nesse assunto. Levantei questões sobre a natureza do próprio debate e ainda não tomei partido, nem espero tomar. Penso que partimos do principio que se quer o "melhor" para o ensino superior. A questão relevante, quanto a mim, consiste no debate sobre o que é que constitui o "melhor" para o país em matéria de currículo. Enfim, segue o link para o texto.

Friday, February 20, 2009

Construção selectiva da “realidade” [2].

Antes um criminoso solto do que um inocente preso”.

Não pretendia fazer deste tema uma série. Há, no entanto, desenvolvimentos interessantes na nossa esfera pública que me fizeram retornar ao tema. Um deles é esta notícia sobre o caso judicial do ex-ministro do interior (na foto) reportado pelo Jornal o Pais Online. Não passa muito tempo, alguns críticos pejorativamente designados de ter pretensas cautelas científicas cuja função é, sempre, a de evitar o estudo das infra-estruturas sociais de fenómenos (leia aqui) chamavam a atenção para a precipitação em considerar Manhenje de corrupto quando nem sequer estava claro o que significa- juridicamente – esse termo. E se se aplicava para aquele caso. Outros críticos em jetito de “breaking news” passavam nos seus blogs qualquer peça sobre Manhenje. Hoje, no entanto, não se lembram de dar a notícia do desprounciamento de 99% dos alegados crimes que aquele ex-ministro teria cometido. Para esses, especialistas nas teórias 4 x 4 Manhenje já era culpado antes mesmo de ser condenado. O princípio jurídico da presunção de inocência fora jogado para o lixo. Esses analístas praticamente celebravam a prisão de Manhenje e outros mais. Não lhes importava que pudessem estar a julgar publica , moral e precipitadamente alguém.O que lhes interessava era satisfazer o seu sentido normativo e moralista de justiça. Um “big fish” (tubarão) foi preso. A justiça para eles era na base do seu critério de justiça e não aquilo que o procedimento judicial podia sustentar. Alguns desses analistas feitos justiceiros e "defensores do povo", no passado Samoriano de que tanto nostalgia e saudosismo demostram, foram quem estiveram por detrás dos excessos de Samora no envio de pessoas inocentes para a reeducação. São inúmeras as peças, quase de celebração, que um jornal “I-n-d-e-p-en-d-e-n-t-e” da praça passava dando conta dos dias e noites passados pelo que designava de "inquilinos do Hotel da Kim Il Sung”! Não tenho nada contra o sentido de humor do jornal, mas medo dos seus critérios de estebelecimento de verdade e de justiça.

Antes que me a acusem de estar a defender corruptos ou de “só poder estar ligado ao poder”, ainda que não acreditem em mim, deixem-me deixar bem claro que não conheço Manhenje e nem me interessa conhecer além daquilo que se tornou público dele. Estou me nas tintas para cargos governamentais ou para o quer que os "defensores do povo" achem que me leva a escrever. Escrevo como um passatempo individual, mas sério. Esses mesmos analístas que se dizem “a favor do povo” e dos “deserdados”, que cantam aos quatro ventos que “o povo não é burro”, tratam-no precisamente como tal. Pensam eles pelo povo, pois se o povo começar a pensar por si próprio não vai precisar de representantes. Estão sentados na universidade, no ar-condicionado pelo povo. Viajam para as Europas, para a América Latina, com o povo no coração.

Alguns de nós, “sem interesse em defender o povo”, entretemo-nos com as nossas cautelas ciêntíficas que nunca acabam. Ao invés de sentenciarmos qual é a realidade, deixamos ao critério de cada um seguir o método que achar conveniente para construir a própria, “realidade”, verdade. Nós discutimos o método, o procedimento, o critério, e não a verdade revelada pelos "defensores do povo". Eu gosto dos políticos. Sabem porquê? Os políticos dizem abertamente, nas suas campanhas eleitorais, o que o povo sabe a partida serem coisas irrealistas.E mesmo assim votal neles. O povo têm, no entanto, mecanismos de exigir contas quando não cumprem o que prometeram. As eleições, por exemplo, constituem parte desse mecanismo. Agora, os ‘defensores do povo’ que se escondem por detrás da capa de ciêntistas, mas agem como políticos são um verdadeiro perígo. Detratam a academia, de onde ganharam seu prestigio e autoridade para falar - em nome do povo - atacam os políticos e o pior é que desses não temos mecanismos para lhes exigir contas dos seus erros. Quando lhes convém aí retornam à academia.

Se um académico voz diz que é "defensor do povo", suspeitem das suas intenções. Muitos são políticos desfarçados. Verdadeiros cama-leões! Não aceitem as verdades reveladas, pelos bem intencionados, procurem a vossa!

Thursday, February 19, 2009

Teorias 4 x 4!

"Mathe volta a evadir-se de cadeia sul-africana
PELA segunda vez em três anos, o moçambicano Ananias Mathe, considerado pela Polícia sul-africana como “o criminoso mais perigoso” naquele país, voltou a fugir da prisão.
Maputo, Quinta-Feira, 19 de Fevereiro de 2009:: Notícias

Mathe fugiu da prisão de máxima segurança de Pretória na noite da última terça-feira, quando o grupo de agentes prisionais que velavam pela segurança da sua cela estavam entretidos a assistir a uma partida de futebol na televisão, segundo indicações dadas pela advogada sul-africana Liz Ferrão, citada pela Imprensa local, sem avançar muitos detalhes. Mathe tornou-se notável quando em 2006 conseguiu a proeza de se tornar no primeiro prisioneiro a se evadir da prisão de máxima segurança “C-Max”, localizada na cidade de Pretória. O foragido enfrenta mais de 60 acusações, entre as quais se destacam assassínio, violação de mulheres, assaltos à mão armada e roubo de viaturas".

Se a fuga tivesse sido em Moçambique - onde já existem teórias preparadas para todos os fenómenos, mesmo para aqueles que ainda estão por acontecer, aquilo que designo de teórias 4 x4 - há quem diria com toda a convicção ainda que com fraca evidência: “sem dúvida que poderosos interesses devem estar à retaguarda de mais esta fuga.”!

Wednesday, February 18, 2009

Ensino Superior

Criada nova instituição para garantir qualidade

UMA nova instituição adstrita ao Ministério da Educação e Cultura acaba de ser criada no país, tendo em vista assegurar a harmonia, coesão e credibilidade do sistema de avaliação, acreditação e acompanhamento da qualidade do Ensino Superior no país. Trata-se do Conselho Nacional de Avaliação da Qualidade do Ensino Superior (CNAQ), cujo presidente, Eduardo Sitoe, tomou ontem posse perante a Primeira-Ministra, Luísa Diogo. Leia mais aqui.

Está aqui mais uma área, técnica, em que o critério de nomeação dos dirigentesconstitui um grande ponto de interrogação. Conheço pessoalmente e profissionalmente Eduardo Sitoe. Considero-o um Ciêntísta Político de gabarito, pelo menos, ao nível dos que o país dispõe. No entanto, não me consta nada de sua competência para o posto que vai ocupar além de ser docente universitário. As tranformações da instituição ensino superior ao nível global, regional e local assim como a autonomia dessa área enquanto objecto de estudo tornaram-na um dos mais recentes campos de especialização. Hoje há mestrados, doutorados e fóruns especializados do ensino superior. Um dos produtos da transformação do ensino superior, um pouco por todo mundo, foi o surgimento das agências de avaliação e garantia de qualidade. A expansão, massificação, mercantilização entre outros factores contam-se entre aqueles que se supõe concorrem para a necessidade de se estabelcer regimes de garantia, monitoria, controle, na base da avaliação da qualidade do ensino superior. Foram surgindo em quase todo mundo agências estatais e privadas dependendo da dinámica internas de cada país. Num processo que se foi globalizando surgiu também, como é o caso de Moçambique, o mimetismo automático do seguir a moda. Enfim, o mínimo que se pode esperar da nova instituição é que antes de forncecer e ser a solução para a qualidade primeiro estabelece-se o problema.

Enfim, vamos ver o que se pode esperar do novo orgão.



Tuesday, February 17, 2009

Karingana wa Karingana.

“Um peso duas medidas”.

Era um vez um “grande sábio", tanto achava que sabia que não mas precisava saber das coisas. Para ele, o tempo e a experiência de vida já o haviam ensinado o suficiente sobre os segredos da vida. Chegara a hora do sábio dar conselhos. Aí criou uma oficina do saber. O grande sábio, no entanto, tinha um problema. Era vaidoso! Achava que era o único com habilidades para saber. Nisso queixava-se sempre daqueles que achava que lhe copiavam as ideias. No entanto, a sua vaidade o inibia de reconhcer a mesma prática quando por si praticada. Quer dizer, usava as ideias de outros como se fossem as suas próprias. Esse tipo de comportamento deu origem a expressão um peso duas medidas.

Thu Karingana!

Thursday, February 12, 2009

Construção selectiva da “realidade”!

Os negativistas” e os oficiosos.

Bom, não sei se existe essa palavra na língua de Cam ões, o Português. Se não existe, então, tomem-na por meu ‘moçambiguês’. O ‘negativista’ é uma espécie de analista social, melhor ‘pseudo- analista’ que vivi caçando aspectos, do seu ponto de vista, negativose os apresenta como ‘pura’ e fiel descrição do real. Na verdade não é analista, mas juízista’, eish, outro moçambiguismo. Faz juizos sobre os outros analístas, com categórias classificatórias muitas vezes problemáticas. Perdi a conta dos adjectivos que se criaram para se referir a aqueles que tem um olhar diferente sobre a mesma realidade analisada pelos negativistas. Aí de discordar que existe corrupção, porque os termos do próprio termo não estão esclarecidos. Para o ‘negativista’ das duas uma: ou se trata de um deles ou então defensor de “tudo está bem”. Experimente dizer que não está claro porque Mugabe é parte do problema e não da solução da crise no Zimbábue. Das duas uma: ou fazes parte da familia extensiva de Mugabe ou não anti-democráta. Diga, em voz alta, que a estória da desflorestamente não é aquilo que parece ser. Oh, não gostas do teu país, não és ‘amigo da natureza’ e estás defender o discurso oficial. Bom, a lista ‘e extensa!

Esses aspectos negativos são salientados, principalmente, quando envolvem governos africanos que no padrão moral e normativo do ‘negativista’ é considerado negativo. O negativo aí surge como, essencialmente, negativo. A realidade social não se reduz ao ponto de vista (‘negativista’), pelo contrário, é o ponto de vista que reduz a realidade social. A realidade dos fenémenos é sempre muito mais complexa que os nossos pontos de vista. O que se reporta, portanto, resulta de um processo de seleção. Nesse exercício uns preferem dar mais visibilidade e discutir o mérito dos critérios que usam para apresentar algo como real. Os ‘negativistas’ se enervam quando se fala de critérios, preferem colocar os seus juizos de valor, a sua moralidade como critério. Partem sempre do pressuposto de que os seus valores são os mais genuínos e por isso acima dos demais.

Os ‘negativistas’ consideram-se por naturaza bondosos, caridosos, preocupados com a sorte dos, na sua óptica, desafortunados. Podia-se até dizer que o desafortudando é para o ‘negativista’ o que o eleitor é para o político. A razão da sua existência. A diferença é que o político é menos hípocrítica, pois usa pódio para ‘alienar’ seus eleitores, o ‘negativista’ não. O negativista faz política ao contrário (como diria Filimone Meigos). Quer dizer usa o palco da academia para apresentar ‘realidades’ selectivamente construidas, a partir de seus juizos de valor, como sendo a realidade. Todos, claro, vemos as coisas condicionados pelos nossos valores. Ninguém é isento do normativo. No entanto, existem os que se predispõe a discutir em que medida os seus valores interferem nas realidades que nos apresentam como sendo ‘o real’. O ‘negativista prefere que seus valores sejam a medida da realidade. Enfim, a moral desta curta postagem é alertar a quem estiver interessado sobre um lugar comum: aquilo que nos reportam como ‘real’ é apenas uma parte do real.

É, portanto, aquilo que foi escolhido como ‘real’. Essa escolha, mesmo quando não explícita e consciênte, tem por detrás algum critério. É, portanto, uma construção selectiva. Algumas vezes esses critérios são normativos mistificados em ‘verdade’ aparente. Outras vezes os critérios são analíticos, portanto, sujeitos a crítica. Um exemplo para terminar: se alguém vos reporta todos os dias, as vezes até várias vezes no dias, sobre o que considera ‘realidade’ (negativa) da situação do Zimbábue e não diz nada sobre a tomada de posse de Morgan Tswangirai, como primeiro Ministro, leia aqui, ainda que isso não mude o quadro negativo que já se construiu sobre aquele país perguntem-se, pelo menos: É negativo ou positivo? Mas se quiserem ser mais críticos e analistas não se preocupem com essa classficação normativa. Pergutem-se apenas: O que aconteceu? Como é que sabemos (e temos a certeza de) que o que aconteceu é mesmo o que aconteceu? Estão a ver, se continuo com este tipo de pergunta chegamos necessáriamente aos crítérios! Por mais ‘djika, djika’ (voltas) que dermos a única maneira de discutir um assunto de forma prveitosa começa com o esclarecimento dos termos de discussão e óbviamente dos críterios que usamos. Viva os críterios!

Wednesday, February 11, 2009

Jornal da UP!

Devem estar lembrados que coloquei aqui várias vezes postagens sobre o que considerei fenómeno de descaracterização da Universidade Pedagógica – a Desupeização da UP. Ainda não mudei a ideia que tinha nessa altura sobre o que sucedia na UP. Pois bem, devem recordar-se também que a nova direcção da UP, com a nomeação da Rogério Uthui para Reitor, trouxe como slogan a expressão “De volta à Academia e a academia de volta”. O primeiro retorno era físico, estudantes da UP haviam começado a colonizar salas de aulas de escolas primárias na suas redondezas por falta de instalações próprias. Ainda que se reporte a situação de salas superpovoadas, nalguns cursos, principalmente nos cursos pós-laborais, parece que as coisas tendem a melhorar. O segundo retorno é mais dificil de estabelecer pois não se trata de deslocação física, mas de princípios. É o retorno à Academia. A academia enquanto espaço cultural é marcado de vários actos simbólicos, ritualisticos, de passagem, sacro-profanos, como as cerimónias de graduação, de recepção de caloiros de atribuição de doutoramentos "HUMORES Causa" entre outros. A publicação de revistas ciêntificas, culturais, de docentes, estudantes entre outros actos faz parte desse contexto de produção cultural que as universidades tendem a criar. A UP criou, se não me engano, o seu primeiro jornal cujo primeiro número foi lançado em Dezembro de 2008 - o “UP NOTÍCIAS”! Está de parabéns a UP.

Leia a seguir, em texto reproduzido, a nota do editor e pode aceder ao jornal aqui.


EDITORIAL

Estamos a abrir mais uma página na vida da nossa universidade. É a primeira página do jornal UP Notícias. Pretendemos ser um jornal diferente, a nossa diferença é fundada numa construção diferente da mesma realidade, um olhar diferente sobre os mesmos factos, uma forma diferente de interrogar os mesmos factos, uma apreensão e interpretação diferente sobre a mesma realidade, a nossa realidade e a realidade dos outros. Tal como reza o nosso estatuto editorial, o UP Notícias pretende tomar parte activa no debate dos prin-cipais problemas nacionais e internacionais da educação, no estrito respeito pela diversidade de ideias e ideais, aceitando de forma pedagógica as diferenças como elemento central do debate em torno da academia e da sociedade. Estamos aqui, chegamos aqui, este é o começo, não é o fim, temos um longo caminho a percorrer, o caminho que percorrem todos os jornais, temos um destino, um horizonte, o nosso jornal não será vendido, é para dar a quem o quiser, a quem queira partilhar connosco a nossa forma de ser e de fazer, aquilo que nós somos e pretendemos ser, o jornal vai retratar o nosso mundo, o mundo da UP e o mundo visto da UP. Como forma de contribuir, modestamente, com a nossa e sua colaboração, surge o UP Notícias. Com material diversificado, pretendendo inserir algo que
eduque, que informe e que divirta. Em suma, que agrade aos leitores e não os deixe indiferentes. A nossa ambição é crescer, inserir textos de alunos, professores, funcionários administrativos e até mesmos ideias de cidadãos de fora da UP ou que já foram da UP.

Veja as nossas rubricas e mande a sua colaboração. Esperamos por si. É o nosso convidado
permanente.

Bem vindos ao número um do
Jornal Bimensal UP Notícias.
Eliseu Sueia (Editor)

Dos que estão contra a política (Conclusão)


ESPERO que estejam a acompanhar o meu raciocínio, pois chegamos a um ponto central daquilo que quero reflectir neste texto, mas também um ponto importante de vários problemas que temos a nível da nossa cultura institucional e política. Há muitos que por medo – volto a usar a feliz expressão de Amosse Macamo – de “serem conotados” deixam-se vitimizar ou calar a boca por argumentos baseados na classificação verbal. A minha crítica ao discurso anti-corrupção parte do meu desiderato de resistência a estas classificações verbais. Não é que esteja a favor da corrupção ou negue a sua existência; é que me incomoda o elemento normativo que conduz ao que o antropólogo português José Teixeira memorávelmente chamou de confusão entre “crítica” e “denúncia”. A minha crítica aos “críticos” parte também do meu desiderato de resistência ao uso descuidado que eles fazem de classificações verbais. Leia o texto todo clicando aqui e aqui.

Ensino Superior


Governo aprova revisão da Lei do Ensino Superior

O GOVERNO aprovou ontem a proposta de revisão pontual da Lei do Ensino Superior, por considerar que o instrumento actualmente em vigor não permite a flexibilidade necessária, sobretudo no que diz respeito à movimentação de estudantes de uma universidade para outra dentro do país e na região. A grande novidade da proposta, que deverá ser submetida à Assembleia da República, tem a ver com a redução dos níveis de frequência do Ensino Superior no país de cinco para três anos, à semelhança da realidade actual da região e de alguns outros países do mundo. Leia mais aqui

Tuesday, February 10, 2009

Dos que estão contra a política (1)


"O PANORAMA político do país não é dos melhores. Os resultados das últimas eleições municipais confirmaram uma tendência preocupante, nomeadamente a crescente supremacia de um único partido. Já logo a seguir às últimas eleições legislativas e presidenciais publiquei, na minha qualidade de sociólogo oficioso e segundo a honra que me foi conferida pelo jornal Savana, uma série de artigos no também pelo mesmo semanário honrado oficioso Jornal Notícias com alguns “recados” ao novo governo que, de entre vários assuntos, chamavam a atenção para a necessidade de reforçar a oposição. Esse recado não era motivado por amores particulares pela oposição que temos, nem por achar que muito poder para a Frelimo fosse uma coisa necessariamente má. Um escriba de serviço – a mais recente honra que me foi conferida pelo Savana – não escreve esse tipo de coisas. A razão desse recado era outra. Tinha como pano de fundo uma preocupação, digamos, procedural com a democracia que me parece ameaçada sempre que um único partido detém uma espécie de poder absoluto. A minha ideia na altura, e que continua a mesma, era que a fraqueza da oposição fosse compensada por uma maior atenção pela transparência, pela legalidade e por uma separação ainda mais clara entre partido no governo e aparelho de Estado" [E.M]. Prossiga com a leitura do texto do sociólogo oficioso, o mais criativo e produtivo que o país alguma vez ja produziu, aqui.

Saturday, February 7, 2009

Ministro ao dobro!


Do Notícias de hoje.

Fernando Sumbana, o terceiro da esquerda para a direita (meu acréscimo), foi nomeado Ministro da Juventude e Desportos. O
Presidente da República, Armando Guebuza, nomeou ontem Fernando Sumbana Júnior para o cargo de Ministro da Juventude e Desportos, em acumulação com as funções de Ministro do Turismo. Sumbana substitui assim no cargo David Simango, exonerado da pasta da Juventude e Desportos por ter sido eleito presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo.”

Alguém sabe porquê? Bom, se a saída de David Simango era previsível, isto se usarmos como críterio a incompatilidade de funções de ministro e de presidente do conselho municipal, já não se pode dizer o mesmo da nomeação de Fernando Sumbana Júnior para substituir o primeiro no ministério da Juventude e Desportos. A primeira dificuldade com a qual nos deparamos para entender o procedimento do presidente reside no facto de nunca sabermos o critério para nomeação de ministros e outros membros do governo. Alguem sabe? Ainda que seja uma prerrogativa exclusiva do presidente, constitucionalmente consagrada, como cidadãos não tiriamos o direito a essa informação? Além da confiança politica, claro, qual é o critério usado pelo presidente para nomear os membros do governo?Neste caso, o que estará por detrás da “necessidade”(?) da acomulação de pastas? Reparem, não estou a dizer que seja boa ou má tal acomulação. Como cidadão estou simplesmente interessado em saber como o dirigente máximo do país toma suas dicisões. Decisões que, no fundo, afectam a todos e a cada um de nós? Imaginando a complexidade daquilo que são os problemas do desporto no nosso país (visto pelo total fracasso das nossas selecções a todos os níveis) e do turismo como a ponta de lança nas novas estratégias de desenvolvimento, questiono-me sobre a capacidade que um só ministro teria para dar conta de duas estruturas a partida montadas para dois ministros? Pode ser que o presidente tenha pensado nestas questões todas. Terá sido a proximidade da realização do mundial de 2010 na vizinha RSA que concorreu para nomeação? É que o ministério do Turismo parece bem empenhado em tirar proveito desse evento. Se for o caso, a decisão de fazer o ministro do turismo tomar conta dos assuntos desportivos terá sido sensata? Enfim, especular é o que nos resta quando não há informação.

A ver vamos!

Friday, February 6, 2009

Desbolonhizar ou Moçambicanizar o curriculo?

Clarificação

Embora tenhas razão no argumento segundo o qual bolonha seria um
assunto europeu, existe também o facto de que todos nós marchamos ao som
da música europeia. desbolonhizar pode ser arriscado
...

De um amigo recebi um email comentando o texto sobre a reforma curricular que publiquei há dias aqui e que faz o primriro plano da Edição de hoje do Jornal Notícias. Bom, a questão colocada pelo meu interlocutor é importante. O artigo que escrevi, no fim, toma partido em relção ao que devemos fazer, sugerindo a ideia de desbolonhizar. Na verdade, tratou-se de uma conclusão e sugestão meio precipitada. A natureza do processo de Bolonha, de Europeização, deixa-nos com pouca margen de manobra. Até países como os EUA e o Brasil que tentam oferecer alguma resistência tendem a ceder em alguns aspectos, nomeadamente no sistema europeu de transferência de créditos. No entanto, a adopção do modelo europeu não está a ser feita de forma mimética, precipitada e por decreto como me parece estar a acontecer o caso de Moçambique. Existe um debate aceso e envolvente sobre o que harmonizar, por ser uma tendência global, e onde Americanizar, no caso do EUA. Nós também não escapamos a isso. No entanto, esse processo podia ser amplamente debatido para que não se torne um processo mecânico , mimético e por decreto. É preciso ainda o exercício fundamental de clarificarmos os termos do próprio debate, o significado do processo e suas implicações . É isso que constitui o aspecto central do meu argumento.

No processo de harmonização a forma do currículo é apenas um aspecto técnico. Dada essa forma, global, coloca-se a questão de saber como vamos adaptá-la aos conteúdos (conhecimentos) que nos são relevantes. Esse debate não está ser feito como referi no artigo. O debate, como refere o Editorial do Notícias, tem de ser mais alargado, envolvendo os demais sectores da sociedade, grupos de interesse e acima de tudo instrutivo. Nesse debate penso que não deviamos nos prender ao falso dilema que se pode colocar com a ideia de bolonhizar ou moçambicanizar o curriculo. Deve haver um meio termo!

Ainda sobre a reforma curricular

EDITORIAL do Jornal Notícias de hoje.