Monday, September 15, 2008

“PLANÍCIE SEM FIM” DE ELÍSIO MACAMO

LITERATURA - “PLANÍCIE SEM FIM” DE ELÍSIO MACAMO: Moçambique é um país cujos problemas não acabam

“PLANÍCIE sem fim”, titulo do último livro do sociólogo Elísio Macamo, lançado sexta-feira última, significa, numa das interpretações do autor, que os assuntos que dizem respeito à planície não acabam. Ou seja, os assuntos da esfera pública não esgotam. E se os assuntos não acabam, então, significa que o país também não termina. E por conseguinte, os problemas de Moçambique não têm fim. Não acabam”.

Maputo, Quarta-Feira, 10 de Setembro de 2008:: Notícias

Falando no acto de apresentação do livro, no Instituto Camões, Elísio Macamo referiu que, este título pode ainda significar que, no sentido literal, nas pastagens, lá onde as pessoas se encontram e se envolvem numa actividade comum, há sempre algo por contar, algo por resolver e algo por fazer. “O que é próprio da pastagem não tem fim. Não sei muito bem se posso ter alguma latitude na interpretação do ditado. Com efeito, há várias interpretações possíveis”.

Os textos inseridos nesta obra, “são uma tentativa de encontrar uma resposta, ou várias, para essas perguntas. Debruço-me sobre quatro assuntos centrais, em minha opinião, à constituição do nosso país como sociedade política. Estou, em primeiro lugar, interessado no significado que a nossa própria acção tem para nós próprios. O que significa a história que nós próprios fizemos para nós? Que valor atribuímos à nossa independência, por exemplo? Merecê-mo-la? Não digo que não. Procuro identificar critérios a partir dos quais podemos, à sombra de um canhoeiro lá na pastagem, reflectir em conjunto sobre isso. Em segundo lugar, estou interessado em saber que assuntos privilegiamos quando nos sentamos para decidir sobre hierarquias no seio dos pastores e, porque não, no seio do gado também. São assuntos relevantes para o melhor aproveitamento do que a natureza nos deu? Aqui também não digo que escolhemos os piores assuntos.”

Ao acto de lançamento assistiram para além de estudantes de sociologia, familiares e amigos do autor, jornalistas, escritores, intelectuais e vários sociólogos da praça como é o caso de Rogério Sitoe e Moisés Mabunda.


Parte significativa dos textos nele inseridos foram publicados nas páginas do matutino Notícias, um órgão que ele considera que “faz para além daquilo que lhe é rotulado e analisado superficialmente”.

E prossegue sublinhando que, “no Notícias está a ser produzido um espaço de reflexão muito grande para o país. O Notícias é um espaço interessante de discussão pública”.
E a este propósito, Macamo revelou a sua preferência em publicar neste diário anotando que, “escrevo para estimular interpelações críticas. Para ser interpelado e desafiado”.

O autor de “Planície sem fim” falou ainda da Comunidade Presbiteriana de Chicumbane e aos habitantes da Aldeia Comunal Patrice Lumumba na periferia de Xai-Xai. Com estas comunidades Macamo conta que ficou a saber que o facto de sair-se de uma universidade, nem tudo se sabe fazer bem; aprendeu ainda a ser directo na sua comunicação: dizer com clareza aquilo que se pensa; foi ainda a melhor maneira de ganhar o sentido de estar em Moçambique (depois de uma longa ausência); também aprendeu que a vida das pessoas não muda: o que muda é, talvez a forma de como nós queremos interpretar a vida. Elísio Macamo, sempre bem-humorado, meio a brincar fez uma análise comparativa de um poema de Fernando Couto, com o seu livro, cruzando com a empresa de telefonia móvel a mCel, patrocinadora desta obra.
Macamo falou do poema “Floresta” de Couto retirado da antologia “Rumores de água” que diz, “Por mais que te isoles/no seio da floresta/ a solidão não será/ tua companheira”. A este propósito, o autor de “Planície sem fim”, aponta como “solução” para alguém que esteja isolada na floresta e sem comunicação devido a um problema na rede mCel, para recorrer à companhia agradável do seu livro “Planície sem fim”...“sugiro que enquanto você espera pela ligação, leia o Elísio Macamo” .

Sobre este poema de Fernando Couto, o sociólogo aproveitou a ocasião para mostrar publicamente a sua admiração pela escrita da família Couto. “Afinal, o Mia não é obra do acaso. Essa coisa de escrever é mesmo genética. È da família. A poesia de Fernando Couto, homem com grande sentido de humor que já conheci em toda a minha vida, é um exemplo que confirma isso”.


O livro, com 150 páginas, está dividido em quatro capítulos, a saber, “Cardeal do diabo”, “O que a campanha não discutiu”, “Cultura de responsabilidade” e “Da hipocrisia”.
São vários os textos que o leitor ao longo das 150 páginas irá “deliciar-se”. São propostas como, “Provocações políticas aos nossos intelectuais", “Viva a Pobreza”, “A nossa independência”, “Abaixo a Unidade Nacional”, “O Crime compensa”, “A utilidade da corrupção”, “O lugar das mulheres”, “Privatizar a democracia”, “Liberdade de expressão”, “O instinto e a razão”, “Pela boca morre o peixe”, “Estragaram a nossa pessoa”, “Esses Corruptos”, “Empresa Paciência”, “A responsabilidade”, “Hipocrisia”, “Demolições”, “Burla”, “Mais uma vez a corrupção”, “Políticos”, “Lénine”, “Discutir”, “Eliminar o lixo”, “A era Guebuza”?, “Reforçar o tribunal administrativo”, “Integrar a diáspora”, entre outros.

BREVE NOTAS DO AUTOR

Sobre Elísio Macamo, Joaquim Salvador que apresentou a obra e assina o prefácio da mesma, considera-o de, “uma das cabeças pensantes da nova geração de sociólogos. É visto nalgum momento por algum sector como uma personalidade polémica”.

E sublinha, “será provavelmente o mais mediático. Sociólogo integro que aborda os assuntos com grande sentido de humor”.

Nasceu em Xai-Xai, fez o Instituto Médio de Línguas em Maputo, completou a sua formação em Tradução e Interpretação em Línguas.

Doutorado em Sociologia e Antropologia na Universidade de Bayreuth na Alemanha, em 1997, onde trabalha como docente e investigador na área da Sociologia do Desenvolvimento.
Tem várias coletâneas de artigos de jornal publicadas, nomeadamente, “O abedeçário da nossa dependência” e “Trepar o país pelos ramos”, “Um país cheio de soluções”.

Tem também publicadas várias obras académicas, a mais recente das quais é “Negotiating modernity: africa`s ambivalent experience”.

Mantém uma coluna na revista mensal “Prestigio” e é colaborador regular do jornal “Notícias”. Tem um blogue na Internet onde discute regularmente questões ligadas ao quotidiano de Moçambique numa perspectiva académica.

ALBINO MOISÉS

22 comments:

JPT said...

que coisa, só aqui tomo conhecimento. serviço público o teu ...

Haid mondlane said...

alô a todos!


parece que ando desactualizado. não soube que o Elísio lançava o seu livro. perdi essa. Valeu o toque Patrício, assim já posso andar a vasculhar pelas livrarias em busca do "planície sem fim".

abraços

Anonymous said...

Oh Langa, finalmente de volta mas, alguma razao para esse regresso publicitador desse lancamento?

Anonymous said...

Interessante é que o próprio EM nunca se interessou em anunciar no blogue dele as obras que ele lança. nunca fez isso.
por isso, subscrevo a pergunta: qual a razão d isso ser uma preocupação particular do Langa, e não do próprio EM?

C.B.

Júlio Mutisse said...

Caros anónimos repugnava-vos se lançasse como hipótese para esta atitude do Patrício a admiração, respeito, reconhecimento da utilidade do livro para uma outra visão dos problemas do país?

Como reagiriam se o próprio elísio publicitasse este (bom) livro no seu próprio blog?

Patrício, estaria eu longe da resposta?

Anonymous said...

Sem repugnacao alguma, Langa gosta de chamar atencao para nao julgar intencoes! A loku a ku tsuka kuyentcheka a hi ta swi vona kwaseyo! Kambi ashwientchekanga swileswo! Himakayoleyo, deixemos os ses, e escutemos o Langa clarificar, se assim o entender. Algum problema em perguntar?

Sueli Borges said...

Oi a todos, olá ao estimado Langa.

Falo daqui da diáspora e gostaria de ressaltar a importância, para os do lado de cá, de notícias como o “anúncio publicitário” sobre o livro do Prof. Macamo, o qual brilhantemente, já nos visitou algumas vezes com suas provocativas aulas.
E, não somente Macamo nos visitou, mas outros professores e pesquisadores. Recentemente, o historiador Joel Tembe e o filósofo Severino Ngoenha. Intelectuais moçambicanos de alto quilate, que bem representam esta terra co-irmã brasileira, pela qual eu me apaixonei, assim que pus os meus pés nela.
Portanto, suponho que não somente, mas, sobretudo, para os colegas de pós-graduação que estudam especificamente Moçambique, saber sobre o que se publica em Moçambique é, sobremaneira, importante.
Se eu estivesse em Maputo, com certeza, compraria o livro. Como não estou, ficarei esperando que Planície Sem Fim seja logo vendido pela net, tal qual Negotiating modernity: Africa`s ambivalent experience (um livro caro em vários sites, diga-se de passagem!)
Parabéns ao Elísio por mais um lançamento!
E obrigada ao Langa, que deve ter achado uma pequena brecha na correria do Velho Continente, para nos informar!

Anonymous said...

(vários sociólogos da praça como é o caso de Rogério Sitoe e Moisés Mabunda) he he he he... estou pidir ser sociologo tambem!

Haid Mondlane said...

alô a todos.

falando em Elisio Macamo, deixem-me comentar sobre a sua recente aparição na "nossa televisão" no debate sobre as situações vividas na RENAMO.

foi imprecionante a forma como se podia perceber a diferença entre a fofoca (desculpem-me o exagero) e um debate.
neste debate pareceu-me que a certo ponto um dos membros do painel (Salomão Moiane) se perdia do objectivo do debate e falava do Presidente da Perdiz focalizando (e até ofendendo) aspectos bastante intrínsecos a pessoa deste. penso que foi uma aula a que o Prof deu (pelo menos a mim) no tocante à postura num debate. a título de exemplo foi interessante a forma como o prof Macamo falou de Deviz Simango chamando-o alguns nomes mas que pela argumentação percebe-se que são as ideias e atitudes de Simango que estão no âmago da descrição e não a pessoa em si.

Este é apenas mais um exemplo de porquê ser importante que se anuncie que alguém como Macamo lançou um livro. Patrício força!


abraços a todos

Anonymous said...

(o prof Macamo falou de Deviz Simango chamando-o alguns nomes mas que pela argumentação percebe-se que são as ideias e atitudes de Simango que estão no âmago da descrição e não a pessoa em si) A aqueles que veneramos nao vemos cisco!

haid mondlane said...

alô

respeito a opinião do último comentador anónimo. afinal de contas debate é mesmo isso: confrontção de ideias (por vezes contraditórias)

abraços

Anonymous said...

Sim haid Mondlane, pessoalmente estou admirado pelos nomes que Elísio Macamo atribuiu a Daviz Simango.

Zé Ninguém

Anonymous said...

Haid,
Os comentários do Prf Macamo sobre Daviz Simango são todos isentos? Tu achas que, neste caso do Simango, ele se comporta elegante e academicamente, tal como o conhecemos?
O que tu pensas?

Anonymous said...

O desafio intelectual reside na nossa capacidade de mantermos a capacidade critica nas coisas que fazemos e ate nas coisas que as pessoas a quem veneramos fazem, bem haja este espaco para continuarmos a partilhar ideias. Entretanto penso que debater e muito mais do que 'planicie sem fim' o proprio livro planicie sem fim tem um fim (proposito), claro que cada um o fara a partir do seu ponto de vista. No debate aprendemos e ajustamos nossas verdades, eu aprendo muito aqui e noutros lugares e nao tenho vergonha de dizer isso, parece batota essa historia de debater so por debater.

Anonymous said...

Macamo desqualifica-se por contraiar-se sempre

haid mondlane said...

saudações

subscrevo estas palavras: "O desafio intelectual reside na nossa capacidade de mantermos a capacidade critica nas coisas que fazemos e ate nas coisas que as pessoas a quem veneramos fazem, bem haja este espaco para continuarmos a partilhar ideias."

é este o meu propósito, debater e aprender a analisar mais cuidadosa e criticamente possível os fonómenos.

foi-me colocada a pergunta se os comentários do ptof são isentos ou não na análise que faz de Deviz Simango.

penso que a postura do prof neste debate (como noutros) é a de procurar chamar atenção para analisarmos o problema sobre outros prismas que por vezes negligenciamos. E com um toque do seu sentido de homor age, em jeito de provocação, na pele de "advogado do diabo"; enquanto que nós, de forma quase generalizada aplaudimos Simango, o prof nos leva a analisar este mesmo personagem no ponto de vista das manobras politicas por ele perpetuadas.

em minha opinião, o prof não pretende desqualificar Deviz nem retirar-lhe o mérito, mas sim convidar-nos a uma análise mais "tridimensionada" dos COMPORTAMENTOS e POSICIONAMENTOS de Simango.

abraços

Anonymous said...

Isso foi explicitado pelo proprio ou esta a julgar a intencao da accao dele?

Anonymous said...

Elisio Macamo contraria-se sempre. É um defeito dele, prontos.

Anonymous said...

A questao nao e mudar de senhorio e libertar-se das garras da escravidao, libertai-vos, deixai a veneracao para as igrejas.

Anonymous said...

http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/243221, aguardando comentarios iguais ou melhores aos pronunciados aquando da entrega do premio Mohibraim.

Elísio Macamo said...

caro patrício, obrigado por teres anunciado a publicação do livro. o lançamento contou com a presença de muita gente, sobretudo de estudantes de sociologia. foi gratificante. abraços

freefun0616 said...

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