Thursday, May 14, 2009

ASSASSINOS DE IDENTIDADES

Mentalidade etnico-regionalista

O sociólogo Elísio Macamo publicou no seu blog um texto extremamente importante. Trata-se de uma interpelação a um outro texto escrito por Jonathan McCharthy, igualmente, em seu blog. A maneira problemática como alguns de nós debatemos e sustentamos logicamente argumentos na nossa esfera publica continua a ser o aspecto central que informa o texto de Macamo. A lucidez e clarividência do argumento apresentado no texto por si justificam a sua importância didáctica, para não falar da incisiva crítica a natureza incendiária do texto de McCharthy. É um texto, o de Macamo, recomendável para qualquer aula sobre como as identidades sociais podem ser manipuladas e instrumentalizadas para fins políticos inconfessáveis.

Em preparação para uma conferência na Alemanhã estou a reler alguns livros. Vou destacar dois. Um dos livros é dum economista Indiano, Amartya Sen. O título do livro é: “Identity and Violence: The Illusion of Destiny”. Sen é mais conhecido pela sua obra na economia, onde desenvolveu a ‘teoria do desenvolvimento como liberdade’, que lhe valeu o prémio Nobel. O livro que estou a lêr tem um caracter mais filosófico que economicista e versa sobre a identidade e violência.

Ao lêr o texto do Elísio Macamo achei interessante a similaridade do seu argumento com aquele apresentado no livro de Sen. Esse argumento, no meu entender, capta profundamente o sentido do perígo que a escrita de McCharthy e muitos outros pode representar pelas suas consequências. O texto de Macamo não só denuncia os problemas lógicos de argumentação, mas como as identidades podem ser instrumentalmente usadas para fins políticos inconfessáveis e até culminar em actos de brutalidade.

O argumento de Sen, no livro que mencionei, é de que o conflito e a violência, em muitos países, são sustentados pela ilusão de uma identidade unica. Assim, por exemplo, os iludidos achariam que existe uma colectividade unica chamada “os do sul” que dominam a outra – “os não do sul”. O mundo é visto como estando dividido em pares binários simples de religiões (culturas ou civilizações) ou regiões (pontos cardinais), ignorando-se outras formas relevantes em que as pessoas se podem identificar tais como, classe, género, profissão, língua, literatura, ciência, música, moral, política etc. Negam-se assim as reais possibilidades de multiplas pertenças identitárias e se impõe catégorias rigidas de pertença. Os filhos do ex-presidente da República, Joaquim Chissano com Marcelina Chissano, são “do Sul” ou do “Norte”? Vivo com um amigo Moçambicano, nascido em Pemba, cujo apelido é similar ao meu: Langa. O meu amigo é do “Sul” ou do “Norte”? Já agora, “Jonathan McCharthy” que podia ser nome de qualquer residente do Cabo na África do Sul ou de um outro canto do planeta; em Moçambique, os McCharthy, são Machanganas, Macondes, Marrongas, Machopes, do Sul, centro ou do Norte? Se um McCharthy fosse ministro iria engordar as fileiras dos do “sul”, “centro” ou do “norte”? Pode um McCharthy ser Ndau, Sena, Machangane ou Chope? Como podem ver as nossas identidades são mais complexas do que os rótulos simplistas que alguns querem forçosamente nos atribuir.

O que gerou o genocídio no Ruanda, como se apressam alguns a concluir, não foram as identidades Hutu e Tusti, nem o dominio destes sobre aqueles, mas a redução das multiplas identidades dos ruandeses a simples pares binários em oposição considerados fundamentais. Como diz e bem Sen, “O Hutu trabalhador de Kigali pode ser pressionado a ver-se a si próprio apenas como Hutu e incitado a matar os Tutsis, ainda assim ele não é apenas Hutu, mas também Kigalês, Ruandês, Africano, Trabalhador, e acima de tudo ser humano”. Com o reconhecimento da pluralidade das nossas identidades e suas diversas implicações, existe uma necessidade crítica de ver as identidades como algo passível de ser determinado por escolhas em função da relevância de pertencas particulares que são inexerávelmente diversas. Não quer com isso dizer que não existem contrangimentos na escolha, mas esse é outro assunto.

Assassinos de identidades

O segundo livro que estou a reler é de Amin Maalouf, um jornalista e escritor Francês, de origem Libanesa. Escreveu um livrinho que se tornou muito popular intitulado: “Identidades assassinas”. Maalouf, mais ou menos na senda de Sen, procura perceber porque as pessoas cometem crimes em nome da religião, etnia, nacionalidade ou outras formas de identidade. Maalouf questiona-se sobre como as ‘identidades que matam’ são produzidas e sustentadas. No fundo as identidades não são por si só assassinas, mas é o assassino da multiplicidade e fluidez das identidades que gera as identidades assassinas. O que me interessa realçar é que não só existem ‘identidades assassinas’ a la Maalouf como existem os assassinos de identidades. Os assassinos das identidades reduzem-nos a categorias unitárias de pertença. Os assassinos das identidades matam as nossas multiplas pertenças estabelecendo níveis hierárquicos entre elas e atribuindo primordialidade a aquela que eles consideram fundamental. Assim para os assassinos das identidades deixamos de ser, pais, filhos, irmãos, vizinhos, católicos, muçulumanos, estudantes, políticos de diferentes partidos, membros de grupos corais e por ai em diante, sendo algumas destas pertenças as que mais sentido fazem a nossa existência quotidiana, e somos forçados a ser fundamentalmente “os do sul” ou “os não do sul”. Estas últimas não raras vezes só nos ocorrem quando impostas pelos assassinos das nossas multiplas pertenças.

O assassino das identidades é aquele que saí por aí contando quantos no sector publico são do Sul, Centro ou Norte, do Este ou Oeste, do Sudeste ou Nordeste usando critérios duvidosos; aquele que saí por aí identificando quem no sector privado é Machangana, Ronga, Bitonga, Ndau, Sena ou Macua e a partir desse exercício estatístico problemático conclui que há dominação de uns sobre os outros, daqueles sobre estes, sem primeiro estabelecer em que consiste cada uma dessas categorias. Essa pessoa não está a apontar algum problema, ela é que constitui o problema e ainda não se deu conta porque não fez um exercício fundamental de introspenção. Antes de acusar o outro de ser ‘etnico-regionalista’ pergunta te a ti próprio se não existe um te habitando o pensamento. A mentalidade etnico-regionalista pre-existe a etnia e a região. Em suma, um assassino de identidades, portanto, é aquele que por causa da sua mentalidade etnico-regionalista reduz a complexidade das possibilidades de pertença das pessoas a hierarquia e número signicante para criar pares binários de confrontação e satisfazer a sua mentalidade etnico-regionalista.

Identidades multiplas e competitivas

Uma pessoa como, eu, com multiplas percenças, é reduzida ao é “do Sul”, logo dominante!Não sabia que tinha todo esse poder. No entanto, a minha experiência existêncial remete-me para tantas outras colectividades de pertença. As minhas multiplas identidades são simplesmente escamoteadas, assassinadas pela mentalidade etnico-regionalista. A hieraquia dessas colectividades nem sempre coloca o "sul" em primeiro lugar. Sou do sul, talvez, quando alguém me lembra que não sou do norte, mas também sou do centro da província de Gaza e do norte de Maputo. Penso como alguém que estudou em Xai-Xai, Maputo, Brasil, Africa do Sul, Noruega e por aí em diante. As minhas preferências políticas são informadas pela minhas trajectorias, profissão, género, classe, amizades etc. Tenho mais amigos na blogosfera do que aqueles com quem convivo face-a-face. Na infância tinha mais amigos do Xai-Xai, mais primos em Maputo e Inhambane, tios na Beira e Quelimane, paí enfermeiro que fez um terço da carreira em Nampula, Montepuez e Pemba onde nasceu um dos meus irmãos. Já agora, o meu irmão que nasceu em Pemba é do sul ou do norte? A medida que foi crescendo fui tendo menos amigos de Xai-Xai e mais amigos de Moçambique. Hoje tenho mais amigos do mundo do que do meu país.

Desses amigos quase nunca me interessa a sua pertença regional. Fui membro da associação de estudantes de pós-graduação no Cabo, não me recordo de saber qual é a proveniência regional ou nacional dos vários associados. Alguns eram moçambicanos, mas também tinham outras pertenças naquele contexto. Pertenço a diferentes associações de amigos, de música, de praticantes de desporto e de residentes. Enfim, todas essas colectividades informam e formam a minha identidade e nenhuma delas é essencialmente essencial (passe a redundância) estando algumas em permanente competição. Porque devo aceitar que alguém assassine as minhas multiplas pertenças, em nome da ilusão do dominio do sul? Moçambicanos do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico, uni-vos e restistam aos assassinos da nossas multiplas identidades.

Tuesday, May 12, 2009

CNJ tem novo Presidente

Osvaldo Petersburgo, meu ex-estudante de sociologia, foi eleito por unanimidade presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ). O CNJ têm sido palco de disputas políticas, com os partidos da oposição, em particular a RENAMO, acusando-a de ser um apropriado pela FRELIMO, partido no poder. Desta vez, porém, parece que as cisões abrandaram e deram lugar a uma eleição consensual de novos orgãos. Parabéns ao novo elenco e votos de sucesso na pressecução dos fins da associação. Afinal, existe espaço para o sociólogo fazer política sem prejuizo para a academia.Quem me dera os consagrados tirassem a lição. A política o que é da política e ao sociólogo o que é da sociologia! Sociólogo também deseja, mas desejo não é a curiosidade que, ainda que tenha morto o gato, criou o sociólogo. Leia mais aqui e aqui.

Prémio CES

PARA JOVENS CIENTISTAS SOCIAIS DE LÍNGUA OFICIAL PORTUGUESA

O Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra – Laboratório Associado, criou em 1999 um prémio de atribuição bienal destinado a jovens investigadores (até 35 anos) de qualquer um dos Países de Língua Oficial Portuguesa. O Prémio CES, financiado pelo Instituto Camões, visa galardoar trabalhos de elevada qualidade no domínio das ciências sociais e das humanidades. Um dos objectivos principais é o de promover o reconhecimento de estudos que contribuam, pelo seu excepcional mérito, para o desenvolvimento das comunidades científicas de língua portuguesa.

EDITAL

1. O Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Laboratório Associado, atribui novamente o Prémio CES destinado a galardoar trabalhos de elevada qualidade no domínio das ciências sociais e das humanidades elaborados originalmente em língua portuguesa.

2. Poderão candidatar-se cidadãos de qualquer um dos Países de Língua Oficial Portuguesa com idade até 35 anos à data de fecho do concurso.

3. O Prémio destina-se a galardoar estudos que contribuam, pela sua excepcional qualidade, para o desenvolvimento das comunidades científicas de língua portuguesa.

4. O Prémio é atribuído de dois em dois anos e tem o valor de cinco mil Euros. É atribuído em 2009, podendo candidatar-se obras inéditas ou publicadas entre 1 de Janeiro de 2007 e 31 de Dezembro de 2008. Este período temporal aplica-se, também, às teses académicas contando para tal a data da sua defesa.

5. O Júri, constituído por um conjunto de reputados cientistas de Países de Língua Oficial Portuguesa, especialistas das áreas das ciências sociais e das humanidades, é presidido pelo Director do Centro de Estudos Sociais.

6. As deliberações do Júri serão tomadas por maioria absoluta dos votos, cabendo ao Presidente do Júri voto de qualidade.

7. O Júri poderá decidir não atribuir o Prémio e das suas deliberações não haverá recurso.

8. O Prémio pode ser atribuído ex-aequo.

9. A deliberação do Júri será tomada nos seis meses seguintes ao encerramento do período de candidatura.

10. As candidaturas deverão dar entrada no Centro de Estudos Sociais até ao próximo dia 30 de Junho de 2009.

11. As candidaturas deverão ser instruídas com oito exemplares da obra concorrente; identificação completa do candidato bem como quaisquer outros elementos julgados por este pertinentes.

12. O CES reserva-se o direito de opção de publicação do(s) estudo(s) premiado(s).

13. A publicação do(s) estudo(s) premiado(s) deverá mencionar a atribuição do prémio pelo CES.


CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS
Colégio de S. Jerónimo
Praça D. Dinis
Apartado 3087
3001-401 COIMBRA
Tel. 239 855570 - Fax. 239 855589
Email:
ces@ces.uc.pt

Tuesday, May 5, 2009

O género no ensino superior em África.

Caros leitores desde blog, de vez em quando, tenho colocado anúncios de bolsas de estudo e outras oportunidades de pesquisa neste eepaço. A seguir encontrem mais um anúncio da mesma natureza. Bom proveito.

Instituto sobre o género 2009 do CODESRIA
Tema: O género no ensino superior em África
1 a 26 de Junho de 2009
Local: Dakar, Senegal

Apelo a candidaturas

Anualmente, desde 1994, o CODESRIA organiza um instituto sobre o género que reúne entre 12 e 15 investigadores durante 4 semanas de debates intensos, de troca de experiências e de construção de saber. Durante os primeiros anos do instituto, o seu principal objectivo foi a promoção de uma consciência generalizada em relação ao género na comunidade de investigação em ciências sociais. O instituto foi em seguida organizado em torno de temas específicos destinados a reforçar a utilização do género como categoria analítica integrada ao mesmo tempo nas produções dos investigadores africanos em ciências sociais e ao surgimento de uma comunidade de investigadores no domínio dos estudos sobre o género. O tema escolhido para o instituto de 2009 é O género no ensino superior em África.

As lutas pela igualdade social entre homens e mulheres continuam a ser pertinentes em qualquer tentativa de compreensão holística da economia, da cultura e da política na África contemporânea – como, é verdade, em todas as regiões do mundo. De facto, pode-se afirmar que é um domínio cuja construção está longe de estar concluída. E mesmo quando, a tendência geral, embora falsa, persistiu em insistir que a referência ao género era apenas um código que servia para estampilhar preocupações estreitas específicas aos interesses das mulheres unicamente. Num esforço de correcção desta percepção errada, e ao mesmo tempo de abertura de novas pistas de reflexão sobre as questões de género dentro da comunidade de investigadores africanos em ciências sociais, o CODESRIA decidiu no quadro do seu plano estratégico 2007-2011 continuar a construir um programa de investigação sobre o género, crítico e inovador, propondo, graças ao seu instituo anual sobre o género, temas que contribuirão ao mesmo tempo para a eliminação dos estereótipos sobre os estudos sobre o género e para alargar as fronteiras dos conhecimentos sobre o género.

A educação a todos os níveis em África é um local de género e as disparidades relacionadas com o género são mais pronunciadas. Apesar de se terem feito progressos no que diz respeito à participação das mulheres no ensino superior, tal como demonstra o número cada vez maior de estudantes (do sexo feminino) e o igualmente cada vez maior número de mulheres que chegam à licenciatura, a observação de Amina Mama de que “o saber patriarcal é sempre codificado na prática quotidiana” é sempre de actualidade no discurso sobre o ensino superior. Para além disso, as estruturas de número de universidades africanas continuam a ser deliberadamente masculinos, em termos de estrutura representacional, de procedimentos de tomada de decisões e da cultura dos seus membros. As mulheres continuam a ser a minoria no ensino superior e as mulheres nessas instituições são divididas e isoladas por diferentes razões sociais, económicas, culturais e psicológicas.

Dentro do CODESRIA, a natureza género do ensino superior foi avançada em Dezembro de 2008 aquando da conferência dos directores de faculdades de ciências sociais realizada em Yaoundé à margem da 12.ª Assembleia-geral. 19 directores de diferentes países africanos representando as faculdades de ciências sociais e humanas participaram na conferência, de entre os quais apenas uma mulher. A ausência de mulheres directoras de faculdade à conferência é devida ao facto de nas universidades africanas o número de mulheres directoras ser muito restrito. Para além de serem uma minoria quantitativa, essas mulheres enfrentam desafios enormes relacionados com o seu género a nível pessoal e profissional que afectam a sua liberdade de movimento (participação em conferências). O problema do género no ensino superior é global, se bem que mais acentuado em África. Isto tem implicações maiores na produção de conhecimentos tendo em conta o género a nível mundial.

O desafio de nivelar o terreno do género no ensino superior implica encontrar-se estratégias de reorganização e de transformação das instituições de ensino superior africano de maneira permanente que ofereçam oportunidades de desenvolvimento e de progresso de carreira às mulheres, reconhecendo ao mesmo tempo os múltiplos papéis relacionados especificamente a seu género.

Para este efeito, o instituo sobre o género 2009 chamará atenção dos laureados para a compreensão dos factores que influenciam e travam as mulheres na sua participação no ensino superior, assim como a compreensão do género nas estruturas e o carácter do ambiente do ensino superior em África. Os laureados serão igualmente encorajados a produzir estudos/resultados que abordem estratégias transformativas ligadas à investigação, ao desenvolvimento do ensino, à gestão e à tomada de decisão. Essas estratégias deverão levar os laureados a pensar em meios de desconstruir as dinâmicas complexas de injustiça e desigualdade pós-colonial no ensino superior, tomando em conta ao mesmo tempo o ambiente particular no qual se encontram as instituições de ensino superior africanas no século XXI.

Os objectivos do instituto sobre o género são:
- Fornecer uma plataforma aos universitários africanos que têm um interesse teórico e empírico sobre as relações do género no ensino superior africano;
- Familiarizar os investigadores com a literatura mais recente no domínio e assim consolidar uma perspectiva africana nos debates teóricos em curso sobre as relações de género e/ou na educação;
- Aperfeiçoar os instrumentos de pesquisa analítica sobre o género, e promover uma metodologia na compreensão e na avaliação da tomada de decisão nas instituições de ensino superior e compreender as disparidades que vão desde as desigualdades quantitativas até às qualitativas;
- Encorajar a produção de conhecimentos africanos sobre as relações de género que subtendem os mercados do trabalho e, ao mesmo tempo, contribuir para o surgimento de uma massa crítica de uma rede de intelectuais que tenham um interesse activo no aprofundamento da investigação sobre este tema, e
- Encorajar os investigadores a desenvolver estratégias transformativas que ponham em causa as injustiças passadas e presentes relacionadas com o género, entre outros, nos sistemas de ensino superior africanos.

Organização
As actividades de todos os institutos do CODESRIA baseiam-se em apresentações por investigadores residentes, pessoas recurso e nos participantes cujas candidaturas forem escolhidas. As sessões são dirigidas por um director científico que, com o apoio das pessoas recurso convidadas assegura que os laureados sejam expostos a uma vasta gama de investigação e de questões políticas que emanam do tema do instituto do qual ele é responsável. Discussões abertas sobre livros e artigos sobre o tema do instituto são igualmente encorajadas. Cada participante a qualquer um dos institutos do CODESRIA deve preparar um documento a partir das suas investigações com vista à sua publicação pelo Conselho. Para cada instituto, o Centro de Documentação e de Informação do CODESRIA (CODICE) prepara uma bibliografia abrangente sobre o tema do ano. Os participantes aos institutos têm também acesso a algumas bibliotecas e centros de documentação em Dakar e nos seus arredores.

Porque é que o tema da participação das mulheres no ensino superior é importante?
1. Os universitários, directores de faculdade, reitores, registrars, dirigentes de sindicatos de ensino jogam um papel muito importante no desenvolvimento das instituições. As suas contribuições para a criação de instituições sensíveis ao género são indispensáveis a diferentes níveis;
2. A visibilidade das mulheres nos cargos de responsabilidade age como um catalisador que motiva as jovens mulheres a jogar um papel mais importante nas instituições de ensino superior, fazendo deste modo mudar as injustiças pós-coloniais persistentes;
3. Se bem que o número de mulheres que obtêm diplomas superiores nas universidades africanas tenha aumentado com o tempo, poucas mulheres são escolhidas nas instituições de ensino superior e ainda menos atingem cargos de responsabilidade;
4. A maior parte das instituições de ensino têm maneiras antigas patriarcais de funcionamento. É difícil pôr em causa essas estruturas a partir dos anfiteatros. Para que haja uma mudança real é necessário resolver as questões de género a nível mais alto das instituições, envolvendo as mulheres na tomada de decisões, no ensino, na gestão e nas actividades sindicais;
5. A ausência persistente de mulheres universitárias nos cargos de decisão é o reflexo de disparidades sérias a todos os níveis da educação em África. Existe um nó de estrangulamento sistemático, baseado no género que tem que ser compreendido, assumido e eliminado.

O instituto sobre o género 2009 convida as candidaturas de potenciais directores, pessoas recurso e laureados que desejem tratar um dos seguintes assuntos:
1) Revisão histórica da participação das mulheres no ensino superior;
2) Momentos e níveis de participação das mulheres na tomada de decisões nas universidades;
3) Factores que influenciam a participação das mulheres nas instituições de ensino superior (as contribuições podem estar relacionadas com factores sociológicos, culturais, psicológicos, económicos, políticos, etc.);
4) Estudos e estatísticas nacionais sobre o estado actual da participação das mulheres nas instituições de ensino superior;
5) Perspectivas futuras, oportunidades e desafios da igual participação das mulheres nos cargos de decisão nas universidades africanas;
6) Estudo transformativos que colocam em causa as instituições pós-coloniais no ensino superior.

Elegibilidade e Selecção
O Director
Para cada sessão, o CODESRIA nomeia um director externo para assegurar a direcção intelectual do instituto. Os directores são cientistas de alto nível reputados pelo seu conhecimento do tema do ano, e pela originalidade do seu ponto de vista sobre a questão. Eles são recrutados com base em propostas e num plano de aulas que cobre quarenta e cinco dias durante os quais deverão, entre outras coisas:
- Participar na selecção dos laureados;
- Ajudar na identificação das pessoas recurso;
- Conceber as aulas da sessão, incluindo a especificação dos subtemas;
- Fazer uma série de conferências e submeter uma avaliação das comunicações apresentadas pelas pessoas recurso e pelos laureados;
- Submeter um relatório científico escrito da sessão.

Para além disso, o director (co-)editará as versões revistas dos artigos apresentados pelas pessoas recurso, com vista à sua publicação numa das colecções do CODESRIA. O director deverá igualmente assistir o CODESRIA na tarefa de avaliação dos artigos apresentados pelos laureados para publicação num número especial da Afrique et Développement ou numa monografia.

As pessoas recurso
As aulas dadas no instituto não são aulas de introdução, mas deverão oferecer aos laureados a possibilidade de aprofundar as suas reflexões sobre o tema do programa e sobre o seu próprio tema de pesquisa. As pessoas recurso são, por conseguinte, investigadores confirmados ou a meio da carreira que publicaram muito sobre o assunto, e que têm uma contribuição importante a dar para os debates.

Depois de terem sido seleccionadas, as pessoas recurso devem:
- Entregar uma cópia das suas aulas para reprodução e distribuição pelos participantes uma semana antes do início das aulas;
- Dar as suas aulas, participar nos debates e comentar as propostas de investigação dos laureados;
- Rever e submeter a versão revista dos seus documentos de investigação para publicação pelo CODESRIA o mais tardar dois meses depois da sua apresentação.

Os laureados
Os candidatos devem ser investigadores africanos titulares de pelo menos uma licenciatura e que tenham capacidade comprovada de fazer investigação sobre o tema do instituto. Os intelectuais activos no processo político e/ou nos movimentos sociais/organizações cívicas são também encorajados a se candidatar. O número de lugares oferecidos pelo CODESRIA para cada sessão dos institutos está limitado a quinze (15). Os investigadores não africanos que tenham meios de financiar a sua participação podem igualmente candidatar-se para um número limitado de lugares. A selecção será feita por um comité de eminentes investigadores.

Candidaturas
As candidaturas para o cargo de Director devem conter:
- um pedido de candidatura;
- uma proposta de quinze páginas no máximo, descrevendo as questões que serão cobertas no curso proposto e demonstrando a originalidade do mesmo e como responderão às necessidades dos potenciais laureados, particularmente insistindo nas questões cobertas do ponto de vista dos conceitos e da metodologia, uma revisão crítica da literatura, e a gama de pontos levantados pelo tema do instituto;
- um curriculum vitae detalhado e actualizado;
- três publicações.

As candidaturas das pessoas recurso devem conter:
- um pedido de candidatura;
- duas publicações;
- um curriculum vitae; e
- uma proposta de cinco páginas no máximo, descrevendo as questões que serão cobertas no curso proposto.

As candidaturas dos laureados devem conter:
- um pedido de candidatura;
- uma carta indicando a afiliação institucional;
- um curriculum vitae ;
- uma proposta (dois exemplares de dez páginas no máximo), contendo uma análise descritiva do trabalho que o candidato quer empreender, um resumo do interesse teórico do tema escolhido, e a relação do assunto e da problemática e os interesses do tema do instituto 2009; e
- duas cartas de referência de investigadores conhecidos pela sua competência e pela sua perícia no domínio (geográfico e científico) de pesquisa do candidato, com os seus nomes, endereços, telefones, fax e e-mails.

A data limite de submissão das candidaturas está fixada para 10 de Maio de 2009 e o instituto terá lugar de 1 a 26 de Junho de 2009.

Todas as candidaturas e questões deverão ser dirigidas ao
Instituto sobre o Género
CODESRIA
Avenue Cheikh Anta Diop X Canal IV
B.P. 3304, CP 18524, Dakar, SENEGAL
Tel. (221) 33 825 98 21/22/23
Fax : (221) 33 824 12 89
E-mail : gender.institute@codesria.sn
Site web: http://www.codesria.org