Thursday, February 19, 2009

Teorias 4 x 4!

"Mathe volta a evadir-se de cadeia sul-africana
PELA segunda vez em três anos, o moçambicano Ananias Mathe, considerado pela Polícia sul-africana como “o criminoso mais perigoso” naquele país, voltou a fugir da prisão.
Maputo, Quinta-Feira, 19 de Fevereiro de 2009:: Notícias

Mathe fugiu da prisão de máxima segurança de Pretória na noite da última terça-feira, quando o grupo de agentes prisionais que velavam pela segurança da sua cela estavam entretidos a assistir a uma partida de futebol na televisão, segundo indicações dadas pela advogada sul-africana Liz Ferrão, citada pela Imprensa local, sem avançar muitos detalhes. Mathe tornou-se notável quando em 2006 conseguiu a proeza de se tornar no primeiro prisioneiro a se evadir da prisão de máxima segurança “C-Max”, localizada na cidade de Pretória. O foragido enfrenta mais de 60 acusações, entre as quais se destacam assassínio, violação de mulheres, assaltos à mão armada e roubo de viaturas".

Se a fuga tivesse sido em Moçambique - onde já existem teórias preparadas para todos os fenómenos, mesmo para aqueles que ainda estão por acontecer, aquilo que designo de teórias 4 x4 - há quem diria com toda a convicção ainda que com fraca evidência: “sem dúvida que poderosos interesses devem estar à retaguarda de mais esta fuga.”!

Wednesday, February 18, 2009

Ensino Superior

Criada nova instituição para garantir qualidade

UMA nova instituição adstrita ao Ministério da Educação e Cultura acaba de ser criada no país, tendo em vista assegurar a harmonia, coesão e credibilidade do sistema de avaliação, acreditação e acompanhamento da qualidade do Ensino Superior no país. Trata-se do Conselho Nacional de Avaliação da Qualidade do Ensino Superior (CNAQ), cujo presidente, Eduardo Sitoe, tomou ontem posse perante a Primeira-Ministra, Luísa Diogo. Leia mais aqui.

Está aqui mais uma área, técnica, em que o critério de nomeação dos dirigentesconstitui um grande ponto de interrogação. Conheço pessoalmente e profissionalmente Eduardo Sitoe. Considero-o um Ciêntísta Político de gabarito, pelo menos, ao nível dos que o país dispõe. No entanto, não me consta nada de sua competência para o posto que vai ocupar além de ser docente universitário. As tranformações da instituição ensino superior ao nível global, regional e local assim como a autonomia dessa área enquanto objecto de estudo tornaram-na um dos mais recentes campos de especialização. Hoje há mestrados, doutorados e fóruns especializados do ensino superior. Um dos produtos da transformação do ensino superior, um pouco por todo mundo, foi o surgimento das agências de avaliação e garantia de qualidade. A expansão, massificação, mercantilização entre outros factores contam-se entre aqueles que se supõe concorrem para a necessidade de se estabelcer regimes de garantia, monitoria, controle, na base da avaliação da qualidade do ensino superior. Foram surgindo em quase todo mundo agências estatais e privadas dependendo da dinámica internas de cada país. Num processo que se foi globalizando surgiu também, como é o caso de Moçambique, o mimetismo automático do seguir a moda. Enfim, o mínimo que se pode esperar da nova instituição é que antes de forncecer e ser a solução para a qualidade primeiro estabelece-se o problema.

Enfim, vamos ver o que se pode esperar do novo orgão.



Tuesday, February 17, 2009

Karingana wa Karingana.

“Um peso duas medidas”.

Era um vez um “grande sábio", tanto achava que sabia que não mas precisava saber das coisas. Para ele, o tempo e a experiência de vida já o haviam ensinado o suficiente sobre os segredos da vida. Chegara a hora do sábio dar conselhos. Aí criou uma oficina do saber. O grande sábio, no entanto, tinha um problema. Era vaidoso! Achava que era o único com habilidades para saber. Nisso queixava-se sempre daqueles que achava que lhe copiavam as ideias. No entanto, a sua vaidade o inibia de reconhcer a mesma prática quando por si praticada. Quer dizer, usava as ideias de outros como se fossem as suas próprias. Esse tipo de comportamento deu origem a expressão um peso duas medidas.

Thu Karingana!

Thursday, February 12, 2009

Construção selectiva da “realidade”!

“Os negativistas” e os oficiosos.

Bom, não sei se existe essa palavra na língua de Cam ões, o Português. Se não existe, então, tomem-na por meu ‘moçambiguês’. O ‘negativista’ é uma espécie de analista social, melhor ‘pseudo- analista’ que vivi caçando aspectos, do seu ponto de vista, negativose os apresenta como ‘pura’ e fiel descrição do real. Na verdade não é analista, mas ‘juízista’, eish, outro moçambiguismo. Faz juizos sobre os outros analístas, com categórias classificatórias muitas vezes problemáticas. Perdi a conta dos adjectivos que se criaram para se referir a aqueles que tem um olhar diferente sobre a mesma realidade analisada pelos negativistas. Aí de discordar que existe corrupção, porque os termos do próprio termo não estão esclarecidos. Para o ‘negativista’ das duas uma: ou se trata de um deles ou então defensor de “tudo está bem”. Experimente dizer que não está claro porque Mugabe é parte do problema e não da solução da crise no Zimbábue. Das duas uma: ou fazes parte da familia extensiva de Mugabe ou não anti-democráta. Diga, em voz alta, que a estória da desflorestamente não é aquilo que parece ser. Oh, não gostas do teu país, não és ‘amigo da natureza’ e estás defender o discurso oficial. Bom, a lista ‘e extensa!

Esses aspectos negativos são salientados, principalmente, quando envolvem governos africanos que no padrão moral e normativo do ‘negativista’ é considerado negativo. O negativo aí surge como, essencialmente, negativo. A realidade social não se reduz ao ponto de vista (‘negativista’), pelo contrário, é o ponto de vista que reduz a realidade social. A realidade dos fenémenos é sempre muito mais complexa que os nossos pontos de vista. O que se reporta, portanto, resulta de um processo de seleção. Nesse exercício uns preferem dar mais visibilidade e discutir o mérito dos critérios que usam para apresentar algo como real. Os ‘negativistas’ se enervam quando se fala de critérios, preferem colocar os seus juizos de valor, a sua moralidade como critério. Partem sempre do pressuposto de que os seus valores são os mais genuínos e por isso acima dos demais.

Os ‘negativistas’ consideram-se por naturaza bondosos, caridosos, preocupados com a sorte dos, na sua óptica, desafortunados. Podia-se até dizer que o desafortudando é para o ‘negativista’ o que o eleitor é para o político. A razão da sua existência. A diferença é que o político é menos hípocrítica, pois usa pódio para ‘alienar’ seus eleitores, o ‘negativista’ não. O negativista faz política ao contrário (como diria Filimone Meigos). Quer dizer usa o palco da academia para apresentar ‘realidades’ selectivamente construidas, a partir de seus juizos de valor, como sendo a realidade. Todos, claro, vemos as coisas condicionados pelos nossos valores. Ninguém é isento do normativo. No entanto, existem os que se predispõe a discutir em que medida os seus valores interferem nas realidades que nos apresentam como sendo ‘o real’. O ‘negativista’ prefere que seus valores sejam a medida da realidade. Enfim, a moral desta curta postagem é alertar a quem estiver interessado sobre um lugar comum: aquilo que nos reportam como ‘real’ é apenas uma parte do real.

É, portanto, aquilo que foi escolhido como ‘real’. Essa escolha, mesmo quando não explícita e consciênte, tem por detrás algum critério. É, portanto, uma construção selectiva. Algumas vezes esses critérios são normativos mistificados em ‘verdade’ aparente. Outras vezes os critérios são analíticos, portanto, sujeitos a crítica. Um exemplo para terminar: se alguém vos reporta todos os dias, as vezes até várias vezes no dias, sobre o que considera ‘realidade’ (negativa) da situação do Zimbábue e não diz nada sobre a tomada de posse de Morgan Tswangirai, como primeiro Ministro, leia aqui, ainda que isso não mude o quadro negativo que já se construiu sobre aquele país perguntem-se, pelo menos: É negativo ou positivo? Mas se quiserem ser mais críticos e analistas não se preocupem com essa classficação normativa. Pergutem-se apenas: O que aconteceu? Como é que sabemos (e temos a certeza de) que o que aconteceu é mesmo o que aconteceu? Estão a ver, se continuo com este tipo de pergunta chegamos necessáriamente aos crítérios! Por mais ‘djika, djika’ (voltas) que dermos a única maneira de discutir um assunto de forma prveitosa começa com o esclarecimento dos termos de discussão e óbviamente dos críterios que usamos. Viva os críterios!