Thursday, April 16, 2009

Análise (eleitoral) social e campanha eleitoral.

Lá vou conseguindo roubar tempo aos afazeres académicos e emprestar-lhe a este passatempo individual, mas sério, que é o blog.

No ano passado, uma parte considerável da “análise (eleitoral) social”, sobre o processo eleitoral nos Estados Unidos da América, veio de bloguistas. Em alguns casos, com maior integridade intelectual que a de académicos e da mídia convencional, bloguistas produziram análises interessantes que tornaram inteligível alguns dos fenómenos mais sombrios sobre a mudança do comportamento eleitoral dos americanos. Hoje, académicos naquele país reconhecem que o campo de estudos políticos e do comportamento eleitoral recebeu um “input” de “imanigação e criatividade analítica” vinda da blogosfera.

Mas esse contributo, não vinha de quais-quer bloguistas. Vinha, em particular, daqueles que se esforçavam em produzir análises com isenção, sobre o processo eleitoral americano, não obstante as suas preferências políticas. O que mais se aprecia dessas análises não é a realização ou a falibilidade de algumas de suas profecias, nos casos em que estas últimas surgissem. O que mais se apreciou na imaginação analítica” de alguns bloguistas foi a capacidade de propor perspectivas de análise que tornaram intelegíveis alguns aspectos do comportamento do eleitorado e dos polítcos daquele país.

A questão da mudança demográfica da população eleitoral, o impacto da tecnologia de informação na campanha eleitoral e na influência do voto, a questão da raça como “determinista” e determinate na escolha de um candidato, para citar alguns exemplos, colocaram teórias estabelecidas sobre comportamento eleitoral na prateleira da revisão. Alguns bloguistas, repito, com “imaginação analítica”, deram conta destes e mais fenómenos melhor que alguns ‘gurus’ da análise política e do comportamento eleitoral. A blogosfera, através do debate, tornou-se um espaço de produção de uma sociedade américana mais consciente de si.

Em Moçambique, em ano eleitoral, a estória outra. Temos já agendadas eleições para as assembleias provínciais e gerais. Alguns bloguistas, declarada e explicitamente, preferiram trocar o esforço da “imaginação analítica” pela participação activa na campanha eleitoral de alguns partidos. Em princípio, não há nada de errado com essa postura. Afinal, são cidadãos com todo o direito de participação política do jeito que o seu sentido de dever cívico melhor os informa.

No entanto, haveria menos problema ainda se ficasse clara nas postagens daqueles, que não se declaram, a distinção que fazem entre “análise (eleitoral) social” e campanha política. Diga-se. Podia-se exigir essa capacidade de distinção ao e-leitor, mas também é uma questão de “integridade intelectual” do bloguista esclarecer de que ponto de vista está a falar.

O que se nota, porém, nalguns blogs, como o Diário de um sociólogo, e tenho estado a referir-me a este aspecto faz tempo, que têm a reputação de ser analítico é a presença de uma campanha política disfarçada em analíse social. Trata-se, no meu entender, de um problema de “integridade intelectual” a muito denunciado por bloguistas que destinguem “análise (eleitoral) social” de profecia e esta de acção política. Compare-se o tratamento que é dado aos diferentes partidos do nosso menu de partidário. Uns são “azagaisticamente” falando, naturalmente os maus, os ladrões, os corruptos em diante enquanto outros são “obamaniamente falando”, naturalmente os bons, a esperança, os messias, a mudança etc. Não confudamos alhos com bugalhos, “análise (eleitoral) social” com campanha eleitoral e política disfarçada. No fiim, sai a perder o país que de tanta sede de analístas acaba ganhando mais políticos e não os da melhor espécie.

22 comments:

Nelson said...

Interessante!
Bem dito, mas eu na minha “leiguice” tenho tido é muita dificuldade em distinguir esses dois, “Análise (eleitoral) social e campanha eleitoral.” É muito disfarse, e muito palavreado para nos confundir, é muita tecnicidade para defender sem parecer. Fica mesmo complicado. Não sei oque custa vir a tona e com a “cristaninidade” da água confessar-se as nossas simpatias. Deve ser por isso que eu ando desconfiado e muito das “integridades” dos nossos académicos porque são muito e bem tendenciosos ou pelo menos parecem.

Elísio Macamo said...

patrício, estás de parabéns por este texto. a distinçao é difícil de fazer, mas necessária. como bem dizes, todos têm direito às suas preferências políticas, mas quando vêm a público na sua qualidade de académicos precisam de ser mais objectivos sem prejuízo, é claro, das suas preferências. mas o mais provável é que digam que a objectividade nao é possível como se alguém tivesse duvidado disso. até mesmo max weber usava essa palavra entre aspas, mas dizia que a ciência morria no momento em que o cientista pura e simplesmente abandonava esse desiderato de objectividade. fazes bem em insistir neste ponto. caro nelson, penso que é legítimo ficar desconfiado com as integridades (entre aspas) dos nossos académicos, mas se dizes isso para sugerir a ideia de que essa integridade nao seja possível acho que estarias enganado. se todos pautarmos por essa integridade iremos facilmente identificar aqueles que a coberto de epistemologias obscuras querem fazer política. isso vale para os simpatizantes da frelimo bem como para os simpatizantes de outros grupos políticos. existe um meio termo e esse meio termo é a abordagem crítica dos assuntos. ninguém tem prerrogativa especial sobre esse meio termo. o patrício faz bem em chamar a nossa atençao para a necessidade de (na nossa qualidade de académicos) identificarmos os critérios que nos tornem inteligíveis os fenómenos que observamos. as ciências sociais estao no seu melhor fazendo isso. abraços

Patricio Langa, Cape Town. said...

Caro Elísio.
Obrigado por mais uma vez passares por este espaço e deixares do teu comentário. Para mim os textos de Weber sobre “política e ciência como vocação” não podiam ser mais actuais. Revelam-se, quanto a mim, cada vez mais apropriados para dar conta da complexa relação entre a
“política e a ciência” na nossa sociedade. Esses dois, a política e a ciência, são como uma manta curta para combrir um gigante. Só a integridade intelectual pode mediar o conflito. Deixados a sós, cada um puxa a manta para si caindo-se facilmente em extremos: a politiquice ou o cientismo. O outro ínimigo da “razão” é o “relativismo”. Os que desistiram da “objectividade”, porque inalcansável, ainda que valha a pena a incessante busca, adoram o “relativismo”. É por isso que uns advogam que “não existe ponto de vista sociológico fora de si”. Tudo depende de “si”, tudo é relativo, mas se esquecem que o proprío relativismo, neste caso, é relativo. Partir do pressuposto que é possível distinguir análise social (eleitoral) de campanha eleitoral significa dizer a integridade intelectual (académica) é crucial para o empreendimento análitico. Quando Weber sugere que o professor distinga o “juizos que faz dos factos dos factos em si”, não está a negar que a natureza de certos factos é valorativa. Está no meu entender a fazer um apelo pela integridade académica (intelectual).
Aquele abraço

Patricio Langa, Cape Town. said...

Caro Nelson,
Um intelectual desconfiado vale por dois.
Abraço

Anonymous said...

ola parabens pelo tema
tenho acompanhado com muito gosto as analises feitas no seu blog e desta vez resolvi participar .
análise pertinente e muito interessante. julgo que muita das vezes os académicos se esquecem que o tempo da academia e o da política são muito diferentes, pois aos politicos se exigem respostas imediatas às questoes/problemas que o Pais apresenta, enquanto que para o academico a temporalidade é quase inexistente, uma vez que toda e qualquer análise requererá uma profunda investigacão dos factos para que se chegue a conclusões que estejam no campo do cientifico. ora, num pais como Mocambique vivendo os inumeros problemas sobejemante conhecidos, vezes há em que que muitos académicos despem a capa da academia para tentar encontrar solucões através de análises meramente políticas, transpondo assim a linha que separa a academia da Politica. é tempo sim, de rever tais tendencias e buscar análises mais cientificas, sem com isso querer dizer que um académico nao possa ser politico.
abracos
of

Patricio Langa, Cape Town. said...

Caro anónimo.
Obrigado por aqui passar e desta vez deixar por escrito as suas ideias. Gosto do termo que usa, “Tempo da academia”, traz-me a memória um livro de Severino Ngoenha, um dos poucos bons filósofos de que o país dispõe. No seu livro, intitulado “O tempo da Filosofia”, Ngoenha faz precisamente a mesma distinção do seu comentário. Convidado a soluções sobre o rumo da nossa democracia, Ngoenha foi intelectualemnte integropara formlar mais problemas do que dar respostas apressadas. Essa formulação que constitui o seu livro amplia o significado da democracia além do simples acto de votar regularmente. Questiona-se sobre as condições de possibilidade da liberdade através do tipo de democracia que se nos permite (in)sustentar. E isso é que é a tarefa do intelectual. Abraço

Anonymous said...

Caro Patrício
Também já tinha notada esta opção do autor de "Díário de um sociólogo" por uma campanha eleitoral encoberta, desta vez a favor do MDN. Os materiais que escolhe para apresentar o MDM e o seu líder são sempre positivos. Os materiais que escolhe para apresentar a FRELIMO e todo o sistema que representa são sempre negativos.
A maneira como sempre se refere ao notícias e, em geral, aos órgão públicos visa instilar desconfiança nos seus leitores. A maneira como fala da imprensa independente transmite a ideia de que eles são um poço de verdades e objectividade. Nunca vê nada positivo nem na RM, nem na TVM nem nos jornais do grupo notícias.
Pelo contrário, a chamada imprensa independente é nos apresentada como se, toda ela, fosse homogeniamente objectiva e rigorosa. Não nos são apresentadas nuances entre um Fernando Gonçalves e um Fernando Veloso. Na verdade, estes dois jornalistas a única coisa que partilham é o nome. Diferem completamente na abordagem jornalística. Fernando Gonçalves e Fernando Lima estão mais próximos de Rogério Sitoe do que de Fernando Gonçalves no que a aproximação à objectividade se refere.
Em suma, o diário de um sociólogo virou um boletim de propaganda do MDM e de Daviz Simango, mas a coberto da aura académica.
Obed L. Khan

Anonymous said...

caro patricio
coloquei meus comentarios em anonimato e como muitas vezes os homens são os que mais participam, presumiu tratar-se de um homem, mas sou mulher. grata por remeter os comentarios a analise feita por Nguenha sobre "tempo da filosofia".continuacao de bom trabalho
of

Anonymous said...

Quando foi que o Noticias, o Domingo e a TVM anunciaram estar ao servico de algum partido? E ainda por cima com dinheiro dos nossos impostos.

Patricio Langa, Cape Town. said...

Caro Obed
Estamos mesmo mal.
Temos que insistir na demarcação de fronteiras.
Abraço

Anonymous said...

Qual insistência?

A minha pergunta é porquê Patrício, Obed, Elísio, Mutisse no meio de tantos têm as mesmas caracteristíscas (políticas, étnicas, regionais). Isto me preocupa bastante. Alguma coisa não está bem em Mocambique.

Patricio Langa, Cape Town. said...

É mais fácil etnicizar a acção dos outros do que procurar compreendê-los.
Avante que isso é que vai fazer bema o País.
Saudações

Patricio Langa, Cape Town. said...

É mais fácil etnicizar a acção dos outros do que procurar compreendê-los. Avante que isso é que vai fazer bem para o País. É do domínio do Sul, desde a era de Mondlane. Repare também que Guebuza é o primeiro presidente que não é de Gaza. Não se esqueça de contar quantos membros do Governo são do Sul? Armadilhe o pensamento com categorias etnico-regionais e aí é que nunca vai entender o país que diz querer bem.
Saudações

Anonymous said...

Patrício, fale de politizar, etnicizar e regionalizar a accão dos outros sem procurar compreendê-los. Muito correcto. Mas é o que tu e os outros fazem. Fazeis uma política defensiva a Frelimo passando por academia. Estáis a defender o poder, quereis mande-lo. Há muitos assuntos sérios em Mocambique que procurais desconhecê-los e nem quereis que sejam debatidos nos vossos blogs. Sóis políticos como os outros são. Não vejo mal nenhum apenas que não estejamos a censuramo-nos. Avance mas também assuma!

Elísio Macamo said...

caro patrício, nao percas o teu tempo com gente que nao quer discutir. o anónimo já tornou claro que tipo de discussao ele quer. é seu direito. ignore-o para reforçar os seus palpites que ele vai se sentir ainda melhor. abraços

José Luis Pereira said...

Caro Patricio: sou leigo e aprendiz em matérias relacionadas com a sociologia. No entanto gostaria de deitar um bocadinho de lenha na fogueira: qual é o papel dos partidos políticos em Moçambique? Qual deve ser o papel dos intelectuais moçambicanos? Não estaremos nós, os intelectuais, a fugir das nossas obrigações?
Josè Luis Pereira

José Luis Pereira said...

Caro Patricio: sou leigo e aprendiz em matérias relacionadas com a sociologia. No entanto gostaria de deitar um bocadinho de lenha na fogueira: qual é o papel dos partidos políticos em Moçambique? Qual deve ser o papel dos intelectuais moçambicanos? Não estaremos nós, os intelectuais, a fugir das nossas obrigações?
Josè Luis Pereira

freefun0616 said...

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