Thursday, May 22, 2008

Xeno-fobia, Afro-fobia, Negro-fobia!

Já se contam mais de 40 mortos, em menos de duas semanas, vítimas dos ataques xenofobos que se alastraram agora de J’Burg para Durban. A criatividade humana, enquanto isso, vai inventanto termos que ‘melhor’ tentam caracterizar a natureza dos visados (das vítimas). Se xeno-fobia se refere, de forma geral, ao medo pelo estranho (estrangeiro) que pode ser de qualquer cor, a ‘Afro-fobia’ já tenta ser mais especifica na caracterização dos visados. Estes são Africanos! É um medo do, estranho, africano. No entanto, ‘Africano’ parece também ser uma categoria indentitária multipla, diversa e fluida para ser baseada apenas características fenótipicas dos indívíduos. Ontem andava pelos corredores da universidade e cruzei-me com um amigo moçambicano (Branco). Instintivamente, comentei sobre a xenofobia pois a primeira identidade que me ocorreu atribuí-lo ao encontrá-lo foi a de moçambicano. No entanto, segundos depois, ocorreu-me que ele talvez fosse menos visado do que eu (Negro) caso estivesses numa zona propensa aos ataques xenofobos (digamos Alexandra em J’Burg)! Hoje, abro o e-mail e encontro está expressão ‘Negro-fobia’!

Estamos na semana da comemoração do dia de África (25 de Maio). Comemorar? Comemorar o quê? A carnificina sanguinária? A Àfrica do sul, com sede de recuperar o sentido de humanidade que tinha perdido durante a longa noite do apartheid, acordou com a utopia do renascimento africano. Renascer? Renascer de quê? A Àfrica do sul, sim, precisava de renascer dos longos anos de desumanidade por que passou. Para seu equilibrio psicológico, como nação, precisava recuperar o sentido de humanidade. A comissão de verdade e reconciliação sob orientação do Arcebispo Desmod Tutu tentou uma terápia fazendo perpetradores e vítimas encontrarem-se num tribunal que não era tribunal (era mais um confessatório público). Pode de alguma maneira ter desinfectado a ferida, mas nada fez para curá-la ( justiça)! Nunca houve 'justiça' as vitmas do apartheid neste país. Isso faz com que o stock de raíva e violência ainda habite em muitos Sul-africanos (Negros). Brancos e Africanos (negros não sul-africanos) se tornaram no tubo de escape (bode expiatório) para as suas frustações, pela promessa irealizada que o fim do apartheid parecia representar. Ao branco não se pode atacar porque se reconhece sua supremacia no controle da economia. Atacando ao branco corre-se o risco de ser o próximo Zimbábue! Só lhes resta o Negro (Africano, não Sul-Africano) a quem se pode responsabilizar pelo infortúnio cuja origem estrutural reside no passado do qual achavam já se ter emancipado.
E o resto do continente porque precisaria se emancipar? E mesmo que precisa-se porque é que a receita tinha que ser a utópica fantasia da filosofia Ubuntu? (Eu sou porque tu és)! O chavão do mundial 2010 é “celebrando a humanidade africana”! Preocupada com a humanidade, africana, esqueceu-se de fazer a terapia psícologia por dentro ( justiça). Achando-se a nação que redescobrira o sentido da civilização, perdoado, lançou-se na tarefa missionária de envagelizar o resto so continente pregando o Ubuntismo e esqueceu-se que apenas havia morto o crocodilo, sem eliminar seus ovos.