Saturday, August 9, 2008

O critério no ranking de universidades!

Os "rankings" estão na moda. Existe ranking, praticamente, para tudo. O desporto, principalmente, popularizou esta prática estatística. Existe ranking, praticamente, para cada modalidade desportiva. A título de exemplo menciono um dos mais famosos rankings. O ranking da FIFA para as selecções nacionais de futebol. A FIFA produz relatórios em que apresenta a lista, por ordem hierarquica, das melhores selecções nacionais dos países. Existe uma série de outros rankings eleborados por instituições como o Banco Mundial e o FMI. Por exemplo, o BM produz o ranking dos países em termos de rendimento per/capita de seus cidadãos e/ou do produto nacional bruto produzindo-se assim um lista que ordena os países do mais rico ao mais pobre. Exite também o ranking da transparência internacional que lista países, por exemplo, pelos índices de corrpução. Enfim, estamos numa verdadeira era de rankings! Apresentar um ranking é o mesmo que apresentar uma conclusão! É maneira, económica, de dizer muitas coisas com uma só palavra. Moçambique é o (x) classificado do ranking (y). No entanto, se não sabemos que coisas são essas que nos colocam no lugar (x), como e porque são medidas, então, sabemos pouco. Critérios, critérios, critérios...!


A palavra inglêsa “ranking” significa colocar algo em ordem hieraquica. Essa ordem resulta de uma avaliação. E qualquer avaliação utiliza críterios. E aqui está de novo a questão. Se não discutimos os critérios, estaremos a fazer aquilo em que nos tornarmos exímios: debater conclusões! O ISPU é a melhor! Haaa, não! A UP não vale a pena! Haaa sim, a UEM, é a primeira e mais antiga. E por ai em diante. Um debate circular e irrelevante. Um intelectual, ou qualquer indivíduo, minimamente esclarecido, não podia se limitar a exibir os rankings como se fosse um dado “natural” adquirido. Os rankings resultam de operações estatísticas na base da selecção critérios. Uma seleção que pode ser tendenciosa. Por isso deviamos olhar também para a justificação oferecida para os critérios da selecção. A selecção de critérios obedece critérios!


Cada vez mais torna-se uma prática comum apresentarem-se “rankings” de universidades e demais instituições de ensino superior. Porque? Existem rankings mundiais das universidades, regionais, continentais e até nacionais. O mais interessante não é discutir porque a Universidade de Cape Town é considerada a melhor de África e a única do continente que consta da lista do ranking mundial de universidades. Mesmo que me sinta orgullhoso de tal posicionamento! O mais importante não dizer que a UEM é a única universidade Moçambicana que consta do ranking na base do web das universidades africanas. Mesmo que me orgulhe de ser também produto da UEM. Esses seriam critérios bastante subjetivos e pessoais para serem válidos para além do meu ego! O mais importante é saber o que significa essa classificação. Saber o que significa essa classificação passa pela análise dos critérios usados para estabelecer o ranking. Esse conhecimento é que nos pode ajudar, por exemplo, na tomada de decisão sobre que universidade escolher para estudar.

Um comentador anónimo do blog chamou-se atenção para o último ranking da webmetrics das universidades. Nesse ranking a UEM, por exemplo, surge em 28º a nível do continente. Os critérios usados também constam lá do website. Olha-se para a qualidade da educação, medida pelo prestígio dos graduados por campo de saber. Esse critério vale 10%. Há outros critérios, o nível de internacionalização; dimensão do website; resultados de pesquisa na base de publicações dos investigadores; índices de citação e por ai em diante. Os motores de busca web google, yahoo, constituem as principais fontes de informação. Se pensarmos por exemplo na língua de publicação dos académicos estes resultados podem alterar-se significativamente. Se consideramos os locais de publicação idem. É verdade que não existe nenhum critério insento, muito menos perfeito. No entanto, nestas circunstâncias, mas do que anunciar o posicionamento o importante é debater o mérito da avaliação. Temos que começar a debater critérios e não conclusões! Debatendo conclusões tornamo-nos circulares e dogmáticos. Reflectindo sobre os critérios, não só contribuímos para melhorá-los como para termos classificações que melhor espelham a realidade!