Monday, July 2, 2007

ESTADOS UNIDOS DE ÁFRICA: mito ou realidade?

Para criação de governo africano: Cimeira da UA começa com apelo ao entendimento.

O PRESIDENTE em exercício da União Africana, John Kufuor, apelou a uma plataforma de entendimento que permita a construção de um governo continental, tema da agenda da cimeira que ontem começou em Acra, capital do Gana.

Maputo, Segunda-Feira, 2 de Julho de 2007:: Notícias

Falando na abertura do evento, que reúne cerca de 40 chefes de Estado e de Governo ou seus representantes, incluindo o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, Kufuor disse acreditar que os debates do tema irão produzir consensos que conduzam ao estabelecimento de mecanismos apropriados para criação de um governo da UA, suas funções e responsabilidades.
“É um desafio imenso, mas aliciante. Estamos no limiar de uma nova era com grandes desafios para África”, disse Kufuor, apelando ainda a um debate de qualidade.
Kufuor, que é igualmente Chefe de Estado do Gana, disse ser desolador o facto de África, apesar de ser o segundo maior continente do mundo e desfrutar de grandes recursos naturais, continuar a ser considerada “última fronteira” do desenvolvimento económico e social.
Lembrou que uma das alavancas para o desenvolvimento foi lançada em 2003, em Maputo, com a criação da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD), que se pretende que seja integrada nas estruturas da UA rumo à transformação deste instrumento em agência de desenvolvimento do continente.
Regozijou-se com o facto de o seu país (Gana) acolher a cimeira da UA para debater um projecto que foi arquitectado há meio século pelo pan-africanista Kwame Nkrumah, primeiro presidente do primeiro país africano a ascender à independência.
Nessa altura, Nkrumah disse que a independência do Gana não tinha sentido se toda a África não fosse libertada, lançando, assim, a visão de um governo africano rumo à formação dos Estados Unidos de África.
A cerimónia de abertura foi marcada pela ausência do grande entusiasta do projecto de Governo e Estado africanos único, Muhammar Khaddafi, não obstante encontrar-se já na capital do Gana.
A anteceder Kufuor, o presidente da Comissão da UA, Alpha Omar Konaré, defendeu, na sua intervenção, a necessidade de se avançar rapidamente para a criação de um Governo e uma bandeira pan-africanos únicos.
Konaré vincou ter chegado o momento de se avançar já do actual nível regional, que carateriza África, para um nível continental, frisando que a integração continental é uma acção política determinante só à altura de uma liderança com vontade política forte.
“O que precisamos é de uma África unida e forte”, disse Konaré, ex-Chefe do Estado do Mali.
Moçambique e outros países da SADC concordam com o projecto da integração africana, mas questionam o momento para a sua implementação, defendendo a priorização do reforço das estrututuras da UA, bem como das comunidades económicas regionais rumo à sua integração, através da livre circulação de pessoas e bens, comércio livre, união alfandegária e monetária. Ao que tudo indica, esta posição será dominante na cimeira, que se adivinha “quente”.
Konaré, no final do seu mandato como presidente da comissão, terminou o seu discurso com um “viva o Governo dos Estados Unidos de África”.
O grande debate sobre a criação de um Governo africano rumo aos Estados Unidos de África prossegue amanhã e quarta-feira.


Autor do Texto: SANTOS NHANTUMBO, da AIM, em Acra
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