Thursday, May 3, 2007

Patrick Harries lanca livro em Maputo.





Ontem, no , anfiteatro do ISPU foi lançada mais uma obra de Patrick Harries.
Junod e as Sociedades Africanas: Impacto dos Missionários Suíços na África Austral.
Não escrevo para falar da cerimónia de lançamento, mas do livro. Melhor do que as minhas palavras, a contracapa faz uma apresentação que me parece o resumo apropriado. Vou por isso transcreve-lo.

Os missionários Suíços jogaram um papel importante ao ajudarem a entender a África ao mundo literado nos fins do século XIX e inícios do século XX. Este livro enfatiza como estes europeus intelectuais, trouxeram das zonas rurais mais recônditas da África Austral, um conhecimento ordenado e formulado acerca do Continente. No centro deste grupo emergiu Henri-Alexandre Junod que se tornou um colector pioneiro no campo da Entomologia e Botânica. Mais tarde, ele examinou a sociedade Africana com a metodologia, teorias e critérios seguros como as usadas nas ciências naturais. Ele soube valorizar as perícias dos colectores e observadores Africanos que encontrou na sua actividade quotidiana e mais tarde dependeu deles como seus informadores. Deste seu trabalho, emergiu em três etapas, entre 1898 2 1927, uma obra clássica de influência no campo da Antropologia da África Austral intitulada “The life of a South African Tribe” que leva o titulo em Português de “Usos e Custumes dos Bantu”.

Patrick Harries examina como o povo nativo absorveu ideias importadas para o seu sistema de conhecimento. Através dum processo de intercâmbio e compromisso, os Africanos adoptaram modos estrangeiros de ver e fazer as coisas, e rapidamente, fizeram-nas seus. Esta história de novas ideias e práticas mexeram com as sociedades africanas antes e durante os primeiros anos do colonialismo. Esta, é igualmente, uma história do povo comum e com a sua habilidade de adaptar-se, mudar e subverter as ideias.


Patrick Harries nasceu em 1950 na Cidade do Cabo (África do Sul). Graduou-se com B.A na Universidade do Cabo em 1974. Seis anos mais tarde, tornou-se professor de História de África nesta Universidade. Em 1983 fez doutoramento na Escola de Estudos Orientais e Africanos na Universidade de Londres. Em 2001, ele se transferiu para Basel a fim de ocupar a nova cadeira da História de África (que focaliza a história da África Austral) estabelecida pela Fundação Schlettewin. É professor visitante na Universidade de Lousanne, Universidade de Wisconsin, Madikson, e na Universidade da Cidade do Cabo. É discípulo do Instituto para os Estudos Avançados de Stellenbosch. É pesquisador e escritor de vários livros e artigos que tratam de modo particular a situação da África do Sul, Moçambique e Algéria. É apaixonado de modo particular pelos temas relacionados com a história do trabalho migratório e historia das missões em Africa como zonas de contacto.

Enfim, um trabalho que vale a pena ler. Eu já comecei!