Monday, May 7, 2007

É proibido pensar!


Existem afirmações que não deviam merecer qualquer comentário pelo absurdo que são. É o caso do último parágrafo desta notícia publicada no semanário “Domingo” de ontem. É característico do tipo de pensamento que se quer implantar neste pais. Proibir as pessoas de pensar ou melhor desincentivar pessoas que pensam sob o pretexto de que não sabem fazer. Há, na verdade, um equívoco aqui! A sugestão não é para que se dê mais ensejo a prática em detrimento do que designam de “academismo abstraccionista”. O que se est á a sugerir é para que não se pense, neste país. Tem-se falado, é verdade, em círculos restritos, que a maior pobreza absoluta deste país não é aquela que se anuncia, querer combater, aos quatro ventos. Há outras formas mais graves de pobreza absoluta, o último parágrafo desta notícia é uma delas. Pobreza absoluta de pensamento! Leia-se, a partir da definição de abstracção, aquilo que se sugere que o reitor não faça.
O dicionário wikipedia define abstracção nos seguintes termos: “ processo mental em que as ideias estão distanciadas dos
objectos, operação intelectual onde existe o método que isola os generalismos teóricos dos problemas concretos de forma a resolver os últimos, trata-se de um mecanismo essencial em disciplinas filosóficas e científicas. Através da abstracção podemos imaginar as resultantes de determinada decisão ou acção, sem recorrer a mecanismos físicos ou mecânicos de resolução. Segundo alguns, quando se está em processo de criação mental, ou abstracção, não são dispensados os elementos concretos que constituem a formação do raciocínio. Este, por sua vez supõe e visualiza os resultados através de figuras de imagens mentais ou abstracções. O planeamento de uma acção extrai dos dados concretos os traços julgados essenciais. Pois o critério subjectivo do processo criativo necessita de figuras de comparação que resultam no planeamento para a acção futura. Embora nem sempre a abstracção esteja ligada à criação, a criação está sempre ligada à abstracção, portanto, sem a segunda, não há a primeira”.
Como se pode ver, no artigo, esta se a elogiar o Reitor por ser um homem de acção. Por sinal, uma acção não baseada num “ academismo abstraccionista”. Um eufemismo para não dizer que se sugere que reitor não pense!
Este tipo de pensamento é análogo ao da "decisão tomada, decisão cumprida". E se a decisão tomada, e cumprida, já agora, for inconstitucional?
Somente pessoas que pensam a podem detectar.
Decisão pensada, decisão moderada!
Viva o pensamento!