Monday, March 12, 2007

Mais ideias do novo Reitor da UEM

Desafio é potenciar ciências práticas - Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, na abertura, ontem, do ano académico naquele estabelecimento de ensino superior público

A UNIVERSIDADE Eduardo Mondlane (UEM) tem pela frente o desafio de potenciar a formação na área das ciências práticas, por forma a produzir e colocar no mercado quadros capacitados para responder às exigências do saber fazer. A par disso, o crescente número de graduados que saem anualmente da UEM precisa de ser correspondido por uma melhoria da capacidade de resolução dos problemas que afligem o Homem e a sociedade moçambicanos.
Maputo, Sábado, 10 de Março de 2007:: Notícias

Intervindo ontem na abertura oficial do ano académico 2007, o Reitor da UEM, Filipe Couto, apontou como outro dos desafio que se colocam àquela instituição de ensino superior público a necessidade de se activarem os mecanismos de diálogo entre todos os membros da comunidade universitária, passo que considera fundamental para cultivar a confiança mútua necessária para um desenvolvimento harmonioso da organização.
Filipe Couto chamou a atenção para a necessidade de a prática do diálogo marcar também as relações entre os docentes da UEM, criando o hábito de resolver os problemas enquanto pequenos, se possível na origem, para evitar que se tornem num empecilho à prossecução do verdadeiro objectivo da universidade, que é o ensino e investigação.
“O maior desafio é trabalharmos todos em conjunto. É preciso evitar saltar as estruturas. Não devemos ir ao reitor se antes não falámos com o professor e com o director da faculdade, porque os problemas podem ser resolvidos a esses níveis. A prática do diálogo nestes moldes vai fazer com que haja confiança entre todos os membros da comunidade”, disse o Reitor da UEM.

Relativamente à necessidade de potenciar a formação na área de ciências práticas, o Reitor da UEM disse ser altura de “aprendermos de instituições com experiência”, numa alusão à Universidade de Geociências da China, cujo presidente, o Professor Dr. Zhang Jingao, proferiu a Oração de Sapiência que marcou a abertura do ano académico na UEM.

É preciso apostar nas ciências. Ensinar como produzir mais comida, como conservar a madeira, como fazer a terra produzir mais, etc. Já temos muita gente formada na área de Ciências Sociais, mas não temos tanta assim na área de ciências práticas. Por outro lado, é preciso ensinar aos estudantes como podem fazer desenvolver as suas zonas de origem, aprender a transformar e fazer gestão do país e dos lugares onde nasceram”, disse Filipe Couto.

Por seu turno, o núcleo do Sindicato Nacional de Professores na UEM convidou a nova direcção da instituição a analisar as causas do fraco desempenho do corpo docente.
“O facto de se falar de ‘professores turbo’ na universidade é uma das consequências das condições em que trabalhamos. A solução não passa por alcunhar os docentes com nomes, mas pela busca de soluções mais profundas. Que a mudança na direcção da reitoria resulte na melhoria das condições de trabalho dos professores, em particular”, lê-se na mensagem dos professores.
LAMENTO
Maputo, Sábado, 10 de Março de 2007:: Notícias

A Associação dos Estudantes da UEM lamentou, na sua intervenção, que o seu papel de colaboradores na busca de soluções para os problemas da Universidade esteja a ser secundarizado, devido, em parte, à dinâmica no relacionamento entre os estudantes e a direcção da universidade. Para os estudantes, o diálogo é a melhor solução que se pode encontrar para resolver os problemas da instituição.
Numa dissertação que deu enfoque ao historial da sua universidade, Zhang Jiao, disse que a ciência e tecnologia modernas estão a ultrapassar as barreiras linguísticas, razão por que disse ser oportuno que a UEM e a Universidade de Geociências da China estabeleçam bases para uma cooperação científica prática.
Para o Ministro da Educação e Cultura, Aires Aly, que esteve na cerimónia em representação do Presidente da República, a UEM deve definir o seu papel no âmbito das novas estratégias de usar a ciência como instrumento para a resolução dos problemas do país.