Friday, March 9, 2007

A prioridade do Novo Reitor da UEM.


O Jornal Notícias publica na edição de hoje, 9 de Março, uma entrevista com o novo reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Padre Filipe Couto. Das várias perguntas feitas achei mais interessante a seguinte, claro, pela sua resposta.

Um reitor para Combater a Pobreza Absoluta!


NOT – Uma vez assumido o cargo, quais são as suas grandes prioridades?
PC - Fazer com que a UEM participe mais no combate à pobreza absoluta, actuando com maior incidência nos distritos, formando quadros com qualidade e visão extraordinária na geração de emprego. Esse papel não pode ser visto como alheio à instituição, mas sim como um valioso contributo à causa nacional. Esse papel deverá ser desenvolvido em parceria com diferentes instituições do Estado. Como a UEM é grande, essas tarefas deverão ser descentralizadas, onde os meus colaboradores devem ter um papel mais interventivo e actuante. Temos que formar uma equipa coesa e que prioriza o diálogo. A universidade existe há 30 anos e tem dez faculdades, com iniciativas próprias, por isso temos que trabalhar em sintonia para o seu desenvolvimento, sobretudo nas províncias. Devemos apostar no reforço da cooperação e partilhar conhecimentos. Outro ponto importante é mantermos uma estreita colaboração com as instituições do Estado, onde pontos fulcrais como Agronomia, Veterinária e Genética devem ser mais explorados pela UEM e Estado.

Há muito que se pode questionar, muito mesmo. Coisas que caberiam na pergunta genérica: COMO? Como é que uma universidade participa no combate a pobreza absoluta? Ohh, já esta aí algumas respostas e mais perguntas:

a) “Actuando com maior incidência nos distritos”; (Porquê? Para estar de acordo com a definição política do partido? O distrito como base do desenvolvimento? Porque o distrito deve ser prioridade? Não seria melhor mudar o governo central para o distrito. A propósito, distrito, aqui, o que significa? Rural?

b) “Formando quadros com qualidade e visão extraordinária na geração de empregos?” Como se faz isso meu Deus? A qualidade do ensino superior, em Moçambique, melhor na UEM, será definida e medida pelo indicador capacidade de criar seu próprio emprego? Que visão extraordinária!!!!

c) “Esse papel deverá ser desenvolvido em parcerias com diferentes instituições do estado”. Parcerias! Devem ser aquelas do tempo do antigo presidente, as inteligentes! Parceria com ministérios?

d) “Descentralização de tarefas”;( Como isto será feito?)

e) Priorizar o dialogo; (Sem comentários)

f) "Reforço da cooperação para partilhar conhecimentos"; ( Como se partilha o que não se produz?)

No menu de prioridades está tudo menos uma visão clara de como se irá produzir conhecimento e estimular a investigação.
É de uma universidade que se está a falar ou de um ministério de Combate a Pobreza Absoluta?
Mais insinuações minhas G.M, mais insinuações!

7 comments:

ESM said...

caro patrício, importas-te de me mandar a entrevista completa? infelizmente, não tenho acesso ao notícias online por razões técnicas que me ultrapassam.

Patricio Langa said...

Oi. Elísio.
Claro, já te envio.

GM said...

Oi Patrício,

Prometo comentar teu testo oportunamente. Há alguns aspectos na tua reflexão de que discordo. Preciso no entanto de mais tempo para elaborar o meu raciocínio. Um abraço.

Gabriel Muthisse

Patricio Langa said...

Oi. G.M.
Isso é salutar para o debate. Aguardo, então, teu comentário.
Permita-me sugerir-te que o coloque no post principal e não no espaço para comentários.
Imagino que o texto venha a ser, relativamente, logo.

GM said...

Uma Universidade Relevante

O que se espera de uma universidade é, talvez, que ela ela produza conhecimento susceptível de enformar a investigação e o desenvolvimento tecnológico. Julgo que é, em parte, o conhecimento gerado pelas universidades que permite que as nações ocidentais se mantenham na vanguarda do desenvolvimernto e do progresso. Haveria obviamente que adicionar, entre outras condições do desenvolvimento, a relativa abundancia do capital e um ambiente institucional adequado. O que é que se espera de um centro de conhecimento num país como Moçambique? Pois que seja relevante, tendo em conta o contexto circundante. Que produza conhecimento susceptível de transformar a realidade circundante para um maior progresso. Qual é a realidade que, no nosso país, deve ser transformada? Parece-me que a pobreza é a realidade que mais determina o nosso país. O progresso só é possível se se abordarem os principais determinantes da pobreza.

Nós podemos enunciar com muito entusiamo as teorias económicas mais avançadas (no meu caso) ou as teorias sociológicas que fizeram escola nas mais prestigiadas universidades do mundo (no teu caso) no entanto elas serão irrelevantes se não abordarem os problemas prementes que nos rodeam. As teorias económicas ou sociológicas e todas as outras devem reflectir a vida real. Elas devem estar baseadas na análise do quotidiano que, no nosso caso, é o de um país mergulhado na fome, na miséria. É o quotidiano de um país enredado em teias seculares consubstanciadas nos costumes que atolam os nossos pés e as nossas mentes, impedindo a nossa descolagem para o progresso.

Está a ficar provado que as teorias que aprendemos nas universidades, tanto de dentro como de fora do país, não dão as respostas mais adequadas a todos os problemas universais. A persistência da miséria, o facto de as próprias universidades dos nossos países estarem rodeadas das manifestações mais abjectas da pobreza testemunha esta minha asserção. E uma universidade que se encerra em torres de marfim, e não procura encontrar respostas para estes problemas de pobreza absoluta, é uma universidade irrelevante. Se nos países ocidentais as universidades fornecem as ferramentas essenciais para a investigação científica, para o progresso tecnológico e para o desenvolvimento, isso corresponde ao contexto específico desses países. Aqui, no nosso contexto, as universidades deveriam dar resposta a questões mais primárias. Como garantir que cada moçambicano coma? Parece um problema simples de cada um de nós acordar e, no seu quintal, produzir a mandioca e o milho para o nosso pão de cada dia. Produzir comida para quase 20 milhões de pessoas é uma equação assaz complexa para a qual os economistas, sociólogos, agrónomos, antrópologos e outros cientistas não encontraram ainda a fórmula certa. Se calhar nem começaram a procurar. Porque, segundo pensam, não se podem envolver na luta contra a pobreza.

Como não se envolver se esse é, talvez, o problema maior do nosso tempo. Ao referir-se à necessidade de fazer com que a UEM participe mais no combate à pobreza absoluta o Padre Couta não está, em minha opinião, a papaguear um simples slogan político. Quem conhece minimamente o Padre Couto sabe que ele é um dos intelectuais mais finos deste país. Julgo que o que ele pretendeu dizer é que a Universidade deve ter relevância. Não deve limitar-se, como agora parece ser o caso, a ensinar teorias que, presumivelmente, forneceriam respostas a todo o género de problemas. Aliás, lutar contra a pobreza absoluta é, em minha opinião, mais do que um mero slogan. É contribuir para as soluções mais adequadas para os problemas da produção, da distribuição, do relacionamento com produtores de outros países, do processamento e conservação da produção agrícola, do processamento da nossa matéria prima, da convivência pacífica, do aprimoramento dos mecanismos de participação democrática. Enfim, é tatear os melhores caminhos para que sejamos, cada vez mais, um melhor Moçambique. Haverá alguém que pense que uma universidade moçambicana não se mete neste tipo de empreendimentos?

Um abraço. Gabriel Muthisse

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