Thursday, March 29, 2007

Rogério Utui sucede a Carlos Machili na UP!

Fechou-se o círculo da nomeação de novos reitores para as universidades públicas do país com a indicação de Rogério Utui, único físico nuclear no país(?) para reitor da UP.

Sobre a degeneração da UP escrevi alguns artigos neste blog. Conheço Utui como um académico por vezes emprestado a política. Espero que consiga salvar o barco (Titanic UPiano) afundado que é a UP.
Uma sugestão para UTUI:

A primeira coisa que sugiro que Utui faça é voltar a fazer da UP aquilo para qual a instituição foi criada, formar professores. Deveria, portanto, acabar com a brincadeira desses cursinhos mal concebidos do pós-laboral que nada tem a ver com a vocação da UP. Ao fazê-lo porém que procure salvaguardar os interesses dos estudantes que já estavam a ser (de)formados por lá. Na UP existem pessoas competentes capazes de conseguir alterar o rumo que Machili deu a instituição. É questão de dar-lhes espaço, agora. Apropiando-me de uma ideia de Martin Luther King diria que o que me preocupa não são os mediocres que fala(va)m, mas competentes que se cala(va)m. É altura de deixar essas pessoas da UP falarem. É preciso acabar com a imagem do elogio da mediocridade e de défict epistemologico em que se mergulhou a instituição. Enfim, é preciso academizar e não mais mercantilizar a UP.
P.L

Maputo (Canal de Moçambique)
– O presidente da República, Armando Guebuza, fechou o ciclo de substituição de reitores nas universidades públicas. Nomeou um novo Reitor para a Universidade Pedagógica (UP). Tirou Carlos Machili e colocou Rogério Utui. Rogério Utui é quadro sénior da UEM. É o único moçambicano no país com grau de doutoramento em Física Nuclear. Mas não se pense que Carlos Machili foi “apeado”. As informações de que dispomos indicam que o ex-reitor da UP faz agora parte do grupo de assessores do presidente da República. No passado, Utui foi director científico da Universidade Eduardo Mondlane. Com o despoletar daquilo que ficou conhecido como o «Caso UFICS», entrou em colisão com Brazão Mazula, este, então Reitor, exonero-o. Na altura Rogério Utui justificou a exoneração com as seguintes palavras: “Mazula afastou-me porque sabe que eu sei pensar”. Nas várias correntes que corporizam a academia moçambicana há um ponto de convergência em relação às razões que terão levado Armando Guebuza, sob “sugestão de Aires Aly”, a optar por Rogério Utui. Acredita-se que Armando Guebuza quis “fumar o cachimbo da paz” com os académicos afectos à Universidade Eduardo Mondlane depois de os ter brindado com um Reitor cujo nome não constava nas propostos do Conselho Universitário. Ficaram de nariz torcido e esta nova de Utui para a UP é vista como uma forma de Guebuza tentar devolver créditos aos professores. O reitor que o PR nomeou recentemente para a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), padre Filipe Couto era um “outsider” que meses antes havia sido exonerado de cargo similar na Universidade Católica de Moçambique, uma das privadas. As expectativas do Conselho Universitário da Universidade Eduardo Mondlane eram de que a lotaria da roleta presidencial «sorteasse» um entre três nomes: Orlando Quilambo, Benigna Zimba e Armindo Ngunga. Saiu tudo furado. A nomeação de Rogério Utui, é por tudo isso vista por correntes académicas, como uma tentativa de Guebuza se reconciliar com os Professores e abrir espaço para um “reitorado pacífico” do padre Filipe Couto na maior e mais antiga universidade moçambicana. Ao dispensar académicos de carreira para nomear uma figura de fora da UEM o professorado não gostou. Esta nomeação de Utui pode ser que resulte, muito embora também já se comente que Armando Guebuza acabou de nomear mais um seu familiar para um cargo público, o que reforça a ideia que que o PR desconfia dos outros, por um lado, e está na rota do nepotismo governativo. Utui, formado inicialmente na escola russa mas entretanto com passagens por várias universidades de renome, segundo informações ainda não confirmadas pelo «Canal», terá sido assediado para trabalhar na vizinha África do Sul em programas ligados a centrais nucleares que se encontram ali em projecto para colmatar os graves problemas energéticos que já afectam o país de Mandela. Pressões familiares e também políticas terão demovido o mais sério candidato a reitor da Universidade Pedagógica e agora confirmado no posto a aderir ao “sonho dourado” no outro lado da fronteira. Com o caso consumado. O reinado de Carlos Machili a frente dos destinos da UP está prestes a chegar ao fim. Vem a propósito lembrar que Carlos Machili não conseguiu a reeleição para membro do Comité Central da Frelimo, durante a realização do 9º Congresso daquela formação política realizada em Quelimane, em Novembro. Para além de Brazão Mazula da UEM, Armando Guebuza exonerou já também outros reitores. O reverendo Jamisse Taimo, era Reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais. Foi substituído por Patrício José, então vice reitor da mesma instituição.
(Celso Manguana e Luís Nhachote)
Fonte:http://www.canalmoz.com/default.jsp?file=ver_artigo&nivel