Thursday, March 8, 2007

A sociologia das Cartas (?)

Parece que está a surgir uma nova disciplina. A sociologia das Cartas! É mais uma das inúmeras que se vão derivando da sociologia geral. Talvez se filie as ditas sociologias aplicadas ou a proposta mais recente do ex-presidente da associação americana de sociologia (ASA), Michael Burawoy, de uma sociologia pública (ainda vou escrever neste espaço com mais detalhes sobre esta proposta).

  • A sociologia das cartas consiste em endereçar cartas públicas a governantes, mas não só, para chamá-los atenção para certos problemas sociais, não necessariamente sociológicos pois para que assim o fossem careciam de tal formulação, o que a urgência de agir não permite.
  • Consiste, também, em o sociólogo usar o seu capital cultural e simbólico (credenciais e prestígio) para legitimar a sua intervenção explicitamente normativa e de persuasiva na sociedade.
  • Não carece de análises usando os instrumentos teórico-metodológicos, tão caros a sociologia, bastam-lhe a constatação, indignação, o habitus e a convicção de que se age por causa justa. Considera que mesmo a sociologia clássica de (Marx, Weber e Durkheim, outra selecção do habitus) era uma sociologia de engajamento.
  • Descura, portanto, o aturado trabalho que os considerados clássicos menores (Neomarxistas, Neoweberianos e Neodurkheimianos) fizeram de separar o trigo do joio, isto é, teoria social de sociologia normativa. Um exemplo, aqui, ajudaria. Quando, por exemplo, Marx em A ideologia Alemã, texto escrito motivado pelo engajamento crítico aos irmãos Bauer (ironicamente chamada de, Sagrada família) e aos“Jovens Hegelianos” (Ludwig Feuerbach, Bruno Bauer e Max Stirner) enuncia a seguinte premissa:
    - A História da humanidade é a história da luta de classes a motivação da crítica perde qualquer sentido analítico, no entanto a premissa constitui uma das primeiras e mais apurada teoria social até hoje desenvolvida (uf, que paragrafo!).

    Enfim, é uma sociologia activista por excelência, aquela que abandona as 'torres de marfim' – (a cidade do saber) – do saberes teóricos e envereda pela prática (temporal), como se teoria não fosse prática ou a prática teórica, portanto, uma espécie de sociologia de plantão pronta para agir.
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    PS: (Talvez continue a enunciar as características desta nova disciplina)!
    É claro que isto é uma provocação aos seus praticantes, mas com a melhor das intenções possíveis e imaginárias.

1 comment:

Gerson said...

Assim vai a sociologia (?) misturada com tudo,passando pelas barracas do Museu ao dumba-nengue do Estrela. Igual a tudo,ao novo e ao velho, e depois vem a promiscuidade de todo type em dichotomie editar/ qualidade, ou melhor, ciência/ sensu comum, enfim sao resultados dos diplomas.